Sobre Cesar A O Coelho

Bacharel em Biologia pela UNESP, Botucatu (a gloriosa!), e mestrando em Psicobiologia pela UNIFESP, São Paulo. Apaixonado por neurociências desde o colégio, venceu sua aversão à maior cidade do Brasil para trilhar seu sonhado caminho. Iniciado nas neurociências com o estudo do comportamento animal, hoje estuda memória emocional e sistemas de memória. Sonha em investigar seu objeto de estudo com a maior quantidade de perspectivas possível, cercá-lo por todos os lados. E tenta se cercar dessas ferramentas (perspectivas) ou pessoas que as possuem. “Doido”, como é chamado pelos amigos, é portador de expressões…peculiares (p****ta véio!), muita empolgação e uma mania de tentar ver tudo em seu significado mais abragente (é até chato às vezes). De um jogo de RPG a uma balada, de uma dança de forró a uma discussão científica, de uma reunião científica a uma manifestação política, admira a reunião de pessoas em prol de um mesmo objetivo.

A procura da felicidade vs A procura do propósito de Viktor Frankl

“O rei, em sua riqueza e saciedade dos prazeres da vida, percebia-se ainda em uma infelicidade que nenhuma comida, bebida, mulher ou maravilha do leste poderia dar fim. Pergunta a seu conselheiro “Não há, no reino, posição maior que a minha, ninguém pode mais, ou tem mais motivo que eu para estar bem. E por que eu não estou? Por que me sinto assim? E o conselheiro lhe diz “V. Majestade é um homem bom. Olhe pelo povo e encontrará um fim à sua infelicidade”.

Em 1942, o renomado psiquiatra e neurologista Viktor Frankl foi preso nos campos de concentração nazistas. Lá, ele atuou como psiquiatra por três anos antes do campo ser liberado. No seu livro “Man’s search for Meaning”, no qual descreve sua experiência nos campos, ele conta que, muitas vezes, a diferença entre as pessoas que sobreviveram e as que acabaram morrendo (não por execução, mas por outros motivos) era basicamente uma: um propósito, um significado na vida.

Viktor Frankl

Viktor Frankl

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Latin American School for Education, Cognitive and Neural Sciences

Terminou na última quinta-feira, 14/03, a 3ª Latin American School for Education, Cognitive and Neural Sciences. Essa iniciativa de professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), da Universidad de Buenos Aires, Universidad de Chile e Universidad Católica de Chile, e financiada pela James S. McDonnell Foundation e pela Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC) reuniu, na ilha de Comandatuba, BA, estudantes e pesquisadores de várias partes do mundo com um único propósito: colocar essas áreas de pesquisa para se comunicar melhor e colaborar em prol de uma Educação mais embasada em evidências científicas.

la school logoPor 2 semanas, um forte ritmo de aulas, discussões e projetos sobre Neurociências e Educação – com intervalos regados a praia e piscina – envolveu os estudantes e professores participantes. Continue lendo

Universidades federais finalmente expostas na Scientific American Brasil

Nota

Na edição de fevereiro da revista Scientific American o professor Adonai Sant’Anna, da UFPR, escreveu uma matéria interessantíssima sobre alguns aspectos das universidades públicas que dificultam o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia no Brasil.

No meu texto “Ciência Tecnologia e Inovação no Brasil: as causas, as consequências e as providências!” eu havia indicado alguns pontos da regularização da docência das universidades como fatores que dificultam o desenvolvimento científico do Brasil (i.e. dedicação exclusiva, falta de autonomia universitária, entrave do governo para parcerias com setor privado), mas não me atentei para um dos principais pontos descritos pelo Prof. Sant’Anna (abaixo), a estabilidade de funcionário público e a falta de meritocracia. O interessante é que esse texto vem de alguém que dentro do sistema (um professor universitário), e analisa como esses fatores criam uma atmosfera entre os docentes e universidades que pouco estimula o desenvolvimento de pesquisa de ponta e de tecnologia. Continue lendo

É a procura da felicidade que frustra a felicidade em si!

“Um homem vai ao psiquiatra. Diz que está depressivo. Diz que a vida é dura e cruel. Diz que se sente sozinho em um mundo ameaçador. O doutor diz, ‘o tratamento é simples. O palhaço Pagliacci está na cidade. Vá vê-lo. Isso vai te alegrar’. O homem inflama em prantos e diz, ‘mas doutor… Eu sou Pagliacci’… Boa Piada. Todo mundo ri. Os tambores tocam. Cortinas”

-Rorschach, Watchmen

Quando se pergunta para as pessoas qual o objetivo mais fundamental da vida, a grande maioria dirá que é a Felicidade, como diz o jargão, “o importante é ser feliz”. Estudos muito bem estruturados (experimentais, observacionais, tranversais, longitudinais e por amostragem) mostram muito claramente os benefícios de um estado de felicidade. Pessoas felizes constroem amizades mais fortes e íntimas, são mais satisfeitas em suas vidas românticas, dormem melhor, são mais criativas, têm maior sucesso no trabalho, são mais generosas e altruístas… Parece bom, não? De fato, as pessoas organizam suas vidas em torno do objetivo de ser feliz. Continue lendo

Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil: o cenário, as causas, as consequências e as providências!

Antes de mais nada quero dizer que esse post ganhou forma após três fatos. O primeiro foi a leitura do texto “Você quer mesmo ser cientista?” da Profª Suzana Herculano-Houzel, da UFRJ. Aqui, tenho a pretensiosa intensão de aumentar essa discussão, abordando outras perspectivas, que tiveram fagulha nos outros dois fatos, uma palestra sobre Economia, Inovação e Empreendedorismo, ministrada pelo Prof. Mariano Francisco Laplane (Presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos Ciência, Tecnologia e Inovação – CGEE) na II Semana do Pós-Graduando da UNIFESP,  e outra sobre a relações entre as universidades e a indústria para inovação no Brasil, ministrada pelo Profº Luiz Eugênio de Mello, professor titular do Departamento de Fisiologia da UNIFESP e dirigente do projeto de um novo instituto de pesquisa da Vale do Rio Doce. Se alguma dessas pessoas chegar a ler este texto, desde já que se registre meu agradecimento por colocar em pauta discussões tão necessárias sobre o cenário da ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Continue lendo

Society for Neuroscience 2012: reportando muitas emoções!

Já falamos anteriormente, no post sobre Congressos Científicos, da importância para os pesquisadores e estudantes de pós-graduação de se expor e defender seus resultados para a comunidade científica. Comunicar e discutir os dados com os outros pesquisadores sempre pode, nos seus limites, abrir novas portas e perspectivas para as perguntas que se pretende responder.

Entre os dias 13 e 17 de outubro ocorreu o Society for Neuroscience Meeting 2012 (SFN) em New Orleans, LA, e três membros deste blog tiveram a oportunidade de comparecer para expor e discutir seus trabalhos (Cesar, Karina e Vanessa). Como maior encontro do mundo sobre Neurociências, pensamos que seria interessante trazer aos leitores algumas impressões (apenas uma pitada mesmo!) sobre recentes pesquisas que tem sido realizadas. Continue lendo

A sociedade poderia ser vista como organismo vivo?

Você já pensou em todos os níveis da escala da existência que o homem já conseguiu explorar, ou teorizar sobre? Não raramente me pego pensando nisso e nos caminhos que nosso desenvolvimento enquanto humanidade, ou melhor, enquanto vida na Terra tem tomado, e no que estamos nos tornando.

Primeira fotografia de microcopia por força atômica mostrando as ligações químicas dentro de uma molécula individual.

Segundo alguns físicos teóricos, o universo é composto por p-branas que, em suas 11 dimensões, vibram e formam partículas, energia e tudo mais que há. Essas partículas se combinam e formam as partes dos átomos. Estes, por sua vez, interagem de maneira específica e organizada e formam moléculas e macromoléculas. Algumas dessas moléculas possuem reatividade química suficiente para interagir de forma ainda mais específica e, junto com átomos isolados, formam as células e sua dinâmica. Algumas células, se agrupando, organizando, especializando, concebem formas de existência ainda mais complexas, os organismos multicelulares. Esses organismos compõem as espécies dos reinos animal, vegetal e fungii. No reino animal, algumas espécies se organizam em grupos, formando Continue lendo

Disparam juntos, se ligam juntos

A Neurociência Cognitiva é a área que investiga os mecanismos biológicos subjacentes à cognição, aos processos complexos do cérebro como inteligência, emoção, memória e julgamento moral, por exemplo. Tenta responder como as funções psicológicas e os comportamentos dos organismos são produzidos pela atividade das células nervosas.

Penso que a maior dificuldade dessa área de investigação seja a quantidade de níveis de escala e de propriedades que esses processos possuem. Ao longo da história da neurociência, evidências que ocorreram em diferentes escalas levaram a conclusões que até hoje tentam se conectar.  Nos textos de optogenética (texto I e texto II), apresentou-se um dos supra-sumos da neurociência atual em termos de metodologia. Mas, mesmo assim ela age em apenas uma parte das escalas e propriedades (circuitos, farmacológica, elétrica). E tentar abordar o máximo de escalas e propriedades em um único estudo é um dos grandes desafios dos pesquisadores para formar uma estrutura única do conhecimento sobre as funções do cérebro. Para explorar um pouco essa complexidade, vou falar de dois níveis dessa escala, o anatômico e o de circuitos, e um dos modos usados atualmente para estudar cognição considerando esses dois níveis. Continue lendo

Ética em Experimentação Animal (Parte 2) – os 3 Rs

No fim da década de 50, o livro “Princípios das Técnicas Experimental Humanas” (Principles of Humane Experimental Technique, Russel e Burch, 1959) lançou a ideia dos 3Rs: Reduction, Replacement e Refinement (Redução, Reposição e Refinamento); para guiar uma utilização  mais parcimoniosa de animais na experimentação. Redução apresenta a ideia de usar sempre o menor número de animais possível para o objeto de investigação. Continue lendo

Ética na experimentação animal (parte 1)

Neste semestre eu cursei a disciplina de ‘Ética em experimentação animal e humana’ aqui na Psicobiologia, UNIFESP. Ao mesmo tempo, coincidência ou consequência da disciplina, também  me vi dentro de algumas discussões com ativistas de Sociedades e Associações Protetoras dos Animais, em decorrência de alguns virais da internet resultantes de manifestações e atos desses movimentos contra grandes corporações farmacêuticas e cosméticas nos ultimos meses. Esse tema borbulhou em minha mente esse semestre e não pude deixar de escrever sobre isso.
Na análise da Ética na prática da experimentação animal, deve-se considerar, primeiro de tudo, o conjunto de fatores que levam à discussão ética. O que faz a ética necessária nesse caso? A discussão sobre ética e moral surge a partir do momento em que, existindo no mesmo meio social indivíduos com diferentes premissas (ou valores), justificam como certo ou direito diferentes comportamentos. Assim, quando 2 ou mais desses comportamentos (ou valores) são direta ou indiretamente conflitantes, surge a necessidade de uma “ética do dever” para que os conflitos da sociedade ainda permitam uma convivência harmônica. Continue lendo