O futuro da divulgação científica!

Divulgação CientíficaEm uma enquete rápida sobre como a ciência é divulgada, qual seria sua resposta? Para os mais astutos a resposta inicial seria: artigos científicos. Exatamente, até hoje a maioria das pesquisas feitas ao redor do mundo são primordialmente divulgadas em formato de artigos publicados em revistas com diferentes índices de impacto quando referendados por 3 a 5 revisores de alta competência.

Haja paciência para aguentar tal burocracia. Pois é, atualmente considero (e não sou só eu) que o sistema de publicação dos avanços científicos está bloqueando e atrasando benefícios para a população. Uma vez li em um artigo escrito por Richard Price, fundador e CEO (Chief Executive Officer) do site de relacionamentos científicos Academia.edu (quem não tem deveria se interessar…), que dois aspectos da publicação científica atual lentificam o desenvolvimento tecnológico: 1) O tempo que se leva para publicar: em média são necessários 12 meses entre a finalização de um artigo (vulgo paper) e sua publicação definitiva; 2) A publicação é definitiva e única: os cientistas compartilham suas ideias em um único formato, sem tirar proveito de várias ferramentas da mídia que existem atualmente. Eu ainda colocaria um terceiro ponto: 3) Falta troca de ideias: a publicação em papel não permite uma eficiente discussão entre diversos pesquisadores (como comentários de um post do facebook, por exemplo).

Imagine a seguinte situação: você tem uma notícia muito legal a compartilhar, ela leva 12 meses para ser publicada e poucos comentam, afinal é uma notícia antiga (por exemplo, seu casamento – 12 meses depois pode já ter acabado, certo?!). Pois é, a publicação científica precisa mudar. Uma revolução interessante que está dominando a cabeça de alguns cientistas é a postagem de ideias em Blogs, sites de relacionamentos profissionais etc. No mundo científico já temos alguns desses sites: arXiv, Academia.edu, Mendeley, e ResearchGate. No Brasil, existe o comfuturobr.org. Muito mais rápido do que sonhamos, estaremos divulgando nossas ideias e conhecimentos nos mais diversos tipos de mídia, principalmente as eletrônicas. Conecte-se!

No entanto, você pode me perguntar para quem ficarão os créditos das postagens online de ideias e resultados? E a contagem chata de número de papers que cada um deve ter, como fica? Bom, as coisas vão mudar. Hoje em dia, a publicidade digital já utiliza métricas bem comuns ao nosso cotidiano que você talvez não tenha se dado conta: seguidores no Twitter ou no LinkedIn, curtis e comentários no Facebook, acessos a vídeos no Youtube etc etc. Pois é, quando você consegue postar uma ideia ou comentário que alcance as pessoas, indiretamente você cria conexões e gera conhecimento.

De maneira generalizada, os cientistas se moldam para produzir e receber créditos pelos os quais são exigidos. Como bem escrito pelo CEO do site Academia.edu, Richard Price: “Se você puder compartilhar uma coleção de dados e colher créditos disso, você fará. Se você puder comentar um artigo científico e colher créditos por isso, você fará isso também. Se você divulgar um vídeo de um fenômeno de uma maneira mais rica do que simplesmente em imagens branco e preto, os vídeos irão decolar.”. E eu (mera autora de um iniciante Blog sobre o mundo científico) completaria: fazemos as coisas pelas quais ganhamos créditos (deve ser aquela história de faces do altruísmo, já mencionada neste Blog). Acredite, em um futuro bem próximo, ganharemos créditos científicos por diferentes métricas que não a contagem de papers indexados com gráficos em branco e preto publicados no PubMed. Afinal de contas, a ciência é um processo de reconstrução e transformação contínua. Sua divulgação também será reformulada e transformada.

Leia também:

UPDATE (11/06/2012):

Queria acrescentar aqui um vídeo muito interessante sobre o artigo do futuro… Logo logo as revistas utilizarão a tecnologia digital para melhorar a divulgação científica: 

Anúncios

10 respostas em “O futuro da divulgação científica!

  1. Nossa, genial! Parabéns pelo post. Realmente intrigante como as coisas são, parece que estamos na idade média, engessados por um sistema e presos dentro de uma linha temporal de 1 ano atras. A interatividade tem ficado pras salas de aula do cursinho, onde os professores são obrigados a fazer isto. Porque não na universidade? Porque não na formação cientifica? Parece que as vezes esquecemos de ser didáticos, e isso é necessário desde os alunos de pré-escola até o pós-doc fodão. Acho que, além do atraso e engessamento das publicações, poderia ser incluso uma didática maior, quem nunca leu um artigo e releu e releu e releu e ainda assim não entendeu? Mesmo sendo da sua área, e muitas vezes temos que ler artigos de outras áreas. com as quais não estamos familiarizados, para complementar nossos papers, ou até mesmo só pra saber como funciona mesmo. Espero que isso mude com a “socialização” da informação cientifica.

  2. Pingback: Ciência Open Source | Prisma Científico

  3. Pingback: Crianças e ciência | Prisma Científico

  4. Pingback: Congressos Científicos | Prisma Científico

  5. Pingback: A relação entre didática e o meio acadêmico | Prisma Científico

  6. Karina,

    Após ler seu post ainda me pergunto uma coisa: e a qualidade do que está sendo publicado?

    Sem dúvida divulgar os trabalhos e publicações de forma rápida e interativa é de um ganho inestimável para a ciência, permitindo que ela possa fluir melhor, mas um ponto importante na publicação de papers é que eles são avaliados pelos revisores “anônimos” (professores doutores especialistas na área) e passam por um criterioso escrutínio antes de conseguir o seu lugar ao sol em um periódico. É uma segurança, mesmo esse processo tendo alguns pontos negativos, como abordado no “The Future of Peer Review”.

    Então apesar de ver com bons olhos o caminhar da divulgação científica, ainda não consigo enxergar como podemos somar essa velocidade e flexibilidade na comunicação com a segurança de que o que foi produzido passou por uma boa avaliação, mesmo após ler o texto recomendado “The Future of Peer Review”. Não sei se por não conseguir compreender direito a mecânica por trás das ferramentas de busca ou talvez seja só um receio da mudança, os argumentos apresentados pelo autor não me deixaram mais confortável.

    Acho que tudo isso tem tudo para dar certo, mas esta questão ainda precisa ser bem pensada.

    • Oi,

      Adorei seu desconforto! É importantíssimo…

      Concordo com você que a avaliação da qualidade de um artigo científico sempre deve ser pensada com critério e cuidado. Porém, não acho que a aceleração da divulgação científica possa prejudicar a qualidade. Sempre haverão meios de avaliação: que seja por pares, e nesse caso eu consideraria a divulgação dos avaliadores (ou referees) após a publicação essencial, como já é feito em algumas revistas atuais (por exemplo, a Frontiers), afinal de contas também não sabemos se somos avaliados por pesquisadores competentes na área; ou que seja pelas ferramentas da mídia digital. Realmente, por detrás das ferramentas de busca na internet há uma infinidade de controles e sistemas que podem organizar a informação e, quem sabe, avaliá-la. Como eu disse, nós realmente não estamos familiarizados com isso tanto quanto os publicitários digitais estão. Precisamos nos apoderar de tal conhecimento para utilizá-lo a nosso favor.

      Outro ponto que queria relatar é que nem sempre o que é feito sem um avaliador nomeado para tal é de baixa qualidade: veja pela enciclopédia Wikipedia, muitos tópicos são excelentes e de qualidade. A informação do Wikipedia é avaliada o tempo todo por todos que consultam a enciclopédia. Sugestões e comentários são incorporados e, com isso, o conteúdo melhora. Não sei, realmente, se é a melhor maneira, mas é uma delas. Prós e contras sempre existirão…

      Super obrigada pelo comentário! E espero ter ajudado para o conforto das ideias… Comentários assim sempre abrem a oportunidade de se pontuar outros exemplos! =)

      • Imagine o tanto de “Roax” Científicos que não podem aparecer!?!? isso me deixa com “um pé atrás” …
        Mas temos que inovar…
        Continuar refém do IsI e dos JCR e Fatores de Impacto da vida, num da não!!

    • Oi Henrique,
      Obrigada pelo comentário!

      Você tem toda razão. Algumas revistas vem abrindo as discussões nos seus próprios sites. O melhor exemplo disso é a PLoS mesmo que, além de possibilitar a discussão online, também tem acesso livre. Talvez isso já seja um ponta pé inicial para melhorar a interação e discussões das ideias. Só não se esqueça que, mesmo as revistas “open access”, muitas vezes exigem um pagamento pela publicação.

      Em relação ao OpenScience, também concordo que seria um tópico muito interessante que, provavelmente, geraria discussão. Vou pensar! =)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s