Nas trincheiras da ciência

Segundo relatos históricos, o primeiro descendente do homem surgiu há seis milhões de anos atrás. Desde então, aprendemos a nos adaptar a natureza e a usá-la como ferramenta para nossos objetivos. O ser humano se desenvolveu em uma criatura capaz de criar e também de destruir. Nossa história é marcada por momentos áureos como o desenvolvimento filosófico na Grécia e o Renascimento na Europa, porém também é marcada por momentos obscuros como os diferentes conflitos violentos e guerras já vividos.

Quando analisamos o desenvolvimento da ciência em relação a esses períodos, observamos um crescimento científico-intelectual muito grande nos chamados momentos áureos e uma profunda depressão nos momentos de guerra, mas será que a ciência realmente é posta de lado nas guerras? A resposta é não, caso contrário, provavelmente, você não estaria lendo este post!

A motivação para entrar em uma guerra deve ser algo muito grande, pois nem sempre os espólios superam as perdas. Poder, estratégia, religião, economia, classe social, todos  já serviram de combustível para alimentar as máquinas da guerra ao longo dos anos, o interessante é que todos esses motivos geram uma competitividade entre os dois lados do conflito, e é em cima desse espírito que a ciência se beneficia.

A Guerra Fria não foi marcada por confrontos diretos entre a antiga União Soviética (URSS) (Comunista) e os Estados Unidos (Capitalista), mas por muitos conflitos “nas entrelinhas”. Muitas vezes a rivalidade se mostrava através de filmes, desenhos ou avanço tecnológico, fato explícito na Corrida Espacial – esse termo foi cunhado para o desenvolvimento tecnocientífico no campo da engenharia espacial no qual as duas nações se viam obrigadas a suplantar a outra.

O primeiro passo foi dado pela URSS em 1957 lançando o Sputnik, primeiro satélite artificial a entrar em órbita. A resposta estadunidense só veio no ano seguinte com o lançamento do Explorer I. No ano de 1961 a URSS mais uma vez passou a frente, Yuri Gagarin foi o primeiro homem no espaço, como resposta os Estados Unidos almejou, e em 1969 “conquistou”, a Lua e por ai segue a corrida. O que muitas vezes não nos damos conta quando contamos essa história é toda ciência gerada nesses anos e que hoje nos proporciona muitos benefícios que vão desde transmissão de TV por satélite até a exploração do Universo.

Corrida espacial – Rivalidade no campo da tecnologia espacial vivida entre EUA e URSS

Muitas das tecnologias que utilizamos foram desenvolvidas para o uso na guerra. Lembram de que eu havia lhes dito que se não fosse pela guerra vocês não estariam lendo este post? Pois bem, tanto o computador quanto a Internet são frutos da guerra. O computador, como o conhecemos, foi desenvolvido na 2ª Guerra Mundial para auxiliar nos cálculos da artilharia e a Internet foi criada com o intuito de criar uma rede de informações que prevenisse a integridade das informações caso determinada base fosse tomada pelo inimigo. O mesmo GPS que me guia pelas tortuosas ruas de São Paulo também foi desenvolvido na guerra assim como o leite condensado e o absorvente (pode acreditar!), o primeiro era uma maneira mais prática de armazenar e guardar leite e o segundo foi desenvolvido como uma bandagem mais eficiente que as enfermeiras arrumaram uma utilidade melhor. A lista continua e inclui a margarina, o microondas entre outros.

Um ponto, que apesar de triste, deve ser levado em consideração nessa discussão é a respeito do mal uso da ciência na guerra. Um bom exemplo é o Projeto Manhattan que foi desenvolvido pelos Estados Unidos com o objetivo de criar bombas de destruição em massa. Todos sabem sobre as bombas nucleares lançadas em Hiroshima e Nagasaki em agosto de 1945, ao final da 2ª Guerra. Milhares de vidas se foram devido a esse fato (fato que nunca deve ser esquecido, devemos aprender com nossos erros para nunca mais repeti-los), mas o que ficou na grande sombra gerada por esse desastre foram as descobertas no campo da radioatividade obtidos pelos cientistas no Projeto Manhattan.  Esse conhecimento foi usado pela medicina criando a medicina nuclear proporcionando avanço significativo no campo das imagens, como a tomografia computadorizada, e da radioterapia, utilizado como terapia em casos de câncer.

Para mim, os fins não justificam os meios, por isso afirmo que esses não são avanços da guerra, e sim avanços do ser humano, a guerra apenas serviu de motivação para o desenvolvimento delas. A violência nunca é a solução, mas não devemos fechar os olhos e achar que ela não está presente na nossa história, podemos sempre tentar olhar pelo lado bom, e o desenvolvimento científico utilizado em prol da humanidade representa esse lado.

FAÇA AMOR, NÃO FAÇA GUERRA

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3 respostas em “Nas trincheiras da ciência

  1. A Rússia começou o século como um país quase medieval, atrasado e pobre e em pouco tempo foi a primeira “nação” a levar o homem pro espaço… Fora outras coisas…..

  2. Os esforços de guerra motivaram diretamente a inovação, mas é preciso lembrar dos efeitos perversos indiretos. Ou seja, há que se comparar com o que poderia ter sido acontecido e não ocorreu. Entre os 6 milhões de judeus e 20 milhões de russos falecidos na II Guerra, imagine quantos potenciais cientistas se perderam! Além disso, a perda de capital físico, destruição da infra-estrutura econômica e elevação de impostos para pagar a guerra reduziram a inovação.
    Claro que esse exercício contra-factual é apenas um exercício mental de difícil comprovação, Contudo, basta lembrar que o período imediatamente anterior à I Guerra foi intenso em inovações tecnológicas (Edison, Tesla e cia ) e científica (Einstein e sintese darwinista,só para começar) não relacionadas com fins bélicos.
    Enfim, é difícil fazer um balanço, mas eu não aceitaria tão rápidamente a afirmativa de que a guerra acelerou o progresso tecnológico.

  3. E até as ciências do comportamento tiveram um considerável avanço em épocas de guerra. Como exemplo, temos a tão bem vista psicologia social nasceu das teorias de um pesquisador chamado Kurt Lewin para relações grupais e foi primeiramente “testada” na Segunda Guerra Mundial. Alem disso, os testes psicológicos de inteligência foram criados para escolher melhores soldados, mais inteligentes e com personalidades consonantes com a ideologia militar. E mais, toda a lógica da seleção que psicólogos organizacionais hoje usam em entrevistas de emprego tem um traço – mesmo que distante – vindo deste tipo de seleção. Passada a guerra, a tecnologia fica.

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