Love is in the air…

É, quem já não sentiu flutuar por amor? Quem já não amou mais a outro do que a si mesmo? Aparentemente o amor já atingiu uma parcela bem alta da população. Muito mais do que a parcela atingida por hipertensão, dependência de drogas ou gravidez! O estudo do amor, portanto, poderia ajudar em sua compreensão? Aparentemente, o amor romântico não foge a ciência! Sabe-se que diversas teorias filosóficas e psicológicas tentam explicar o amor e suas variações. No entanto, neste post gostaria de focar e dividir uma pitada da pesquisa realizada pela Dra. Helen E. Fisher, uma antropóloga e pesquisadora comportamental. Ela estuda a atração interpessoal, ou o amor romântico, há pelo menos 30 anos. A Dra. Fisher vem se dedicando a entender a neurobiologia do amor e a mostrar que, mesmo após anos de convivência, é possível que ainda se sinta um amor romântico tão forte quanto aquele dos primeiros beijos (clique na imagem abaixo para ver o vídeo – eu já devo ter assistido mais de 10 vezes e sempre me surpreendo).

Apresentação Dra. Helen Fisher no TED 2008:
“The brain in love”.

Segundo algumas teorias, o amor pode começar de diversas maneiras: libido (ou como diria minha vovó: “borogodó”), neste caso a atração sexual inicial é transformada em amor; a primeira vista, onde as pessoas se apaixonam antes do “borogodó”; e apego, quando duas pessoas sentem uma forte necessidade de estar perto uma da outra independente de qualquer outra coisa. O interessante é que, independente do tipo de atração, quando uma pessoa está amando, seu cérebro dispara sinais específicos semelhantes àqueles disparados pelo uso de drogas de abuso. Pelo menos na esfera biológica, poderíamos supor que o amor romântico é semelhante à dependência.

Tanto o amor quanto as drogas de abuso são capazes de ativar os neurônios que saem da área tegmental ventral (na figura ao lado em azul: VTA – do inglês Ventral Tegmental Area) e chegam no núcleo accumbens (na figura em vermelho: n. accumbens). Essa via, chamada pelos neurocientistas de via dopaminérgica mesolímbica, controla o estado de motivação (querer) por buscas de recompensas, ou seja, quando estamos em uma situação prazerosa, a liberação de dopamina no núcleo accumbens alerta o cérebro para que busquemos aquela situação novamente. Se o amor pode aumentar a liberação de dopamina no accumbens podemos supor que o cérebro modulará o comportamento para que busquemos incessantemente a recompensa que, neste caso, se resume ao indivíduo amado. E com isso, é fácil entender que no amor também exista fissura, desejo, abstinência, tolerância etc, características marcantes da síndrome de abstinência das drogas de abuso. Mas deixemos as drogas de abuso para outro post.

Um ponto interessante do trabalho científico feito pela Dra. Helen Fisher é que a mesma área cerebral ativada pela presença do indivíduo amado também dispara na falta dele. Triste verdade! O objeto de desejo parece exercer o mesmo controle na motivação de um indivíduo quando está ou não por perto. Por isso é tão difícil se desvencilhar de um amor romântico. Como já ouvi de uma amiga, no geral não o esquecemos mas guardamos esse amor como uma pedra que fica depositada lá no fundo da bagagem emocional da vida de cada um.

Independente dos casos falhos do amor, também existem muitos casos duradouros. De fato, quando dois indivíduos, que dizem se amar há mais de 20 anos, são colocados em uma máquina de ressonância, as áreas cerebrais ativadas continuam sendo aquelas que descrevi para a presença ou ausência do indivíduo amado. Interessante, não?

E qual seria a utilidade de se saber toda a neurobiologia química do amor? Bom, eu teria vários palpites, mas a Dra. Helen Fisher criou há alguns anos um site de relacionamentos que utiliza o “padrão bioquímico” de uma pessoa para apresentar a outra. Se a curiosidade bateu, visitem o site chemistry.com.

Apesar dos estudos importantes da Dra. Helen Fisher eu ainda tenho muitas perguntas, o que é normal para todas as áreas da Ciência. Cura-se um caso de amor falho com um novo amor? Será que a amizade profunda pode ser uma interferência nos estudos neurobiológicos do amor romântico? Por que algumas vezes um lado se sente atraído e o outro não? Não sei, estudarei ou perguntarei isso a Dra. Helen Fisher quando tiver a oportunidade e, quem sabe, conto para você em um próximo post.

E você, quais perguntas faria a ela?

De qualquer maneira, o amor é mágico e se ele é uma reação química, vamos catalizar!

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3 respostas em “Love is in the air…

  1. Pingback: Trair ou não trair? Algumas diferenças entre homens e mulheres. | Prisma Científico

  2. Curti o post =)
    Acompanho os trabalhos da Dra.Fisher (acho o tema interessante e curioso…os papers do grupo dela ficam no meu arquivo “ler qnd estiver de boa”* rsrsrs…) e recentemente tive a oportunidade de discutir um trabalho dela (Fisher et al., 2009 J Neurophysiol ) com um grupo de professores de neuroanato…passamos uma tarde discutindo o papel de cada região e suas conexões….como cada área poderia estar (ou não) relacionada com um cérebro apaixonado ou rejeitado…e como isto se refletia nas respostas periféricas. Aprendi um pouco mais sobre neuroanatomia funcional falando sobre um tema tão legal…afinal, quem nunca teve ativação da via mesolímbica por causa de uma paixão?
    *ler qnd estiver de boa OU para qnd cansar da tese =P

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