Em busca da centelha da vida

Sempre que se sentir sozinho levante e saia para comprar 18kg de Carbono, fósforo suficiente para fazer 2 mil palitos e um prego de ferro. Vá até o laboratório de bioquímica de sua Universidade e pegue pequenas quantidades de alguns elementos relativamente comuns. Traga-os para sua casa, junte tudo em uma grande caldeira, adicione 50 litros de água e mexa por 15 minutos. Saiba que a mistura resultante é semelhante, pelo menos quimicamente, a uma pessoa. No entanto, não constitui um ser humano, pois obviamente não possui vida.

Dessa forma, o que transforma um punhado de produtos químicos em uma entidade biológica que pensa, respira e sonha? Por que somos muito mais do que a soma de nossas próprias partes? Como se desenvolveu a busca pelo segredo da vida?

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Na busca por respostas, podemos seguir por pelo menos duas abordagens diferentes. A primeira é aquela que considera a vida como produto daquilo que somos formados, nessa linha encontram-se os grandes anatomistas da História. A outra abordagem é aquela busca uma força vital, ou seja, algo fisiológico que poderia explicar a diferença entre um corpo vivo e um corpo morto.

Na tentativa de entender e prolongar a vida, observamos com o avanço da ciência, um exame cada vez mais detalhado do funcionamento do corpo. A História mostra que a visão da anatomia predominante até o Renascimento baseava-se em dissecações de animais realizadas por um grego chamado Galeno. Nascido em torno de 130 a.C., Galeno tinha a função de cuidar dos ferimentos de gladiadores após os confrontos, o que proporcionou a ele um profundo conhecimento acerca do corpo humano. Além disso, Galeno acreditava que o sangue tinha espíritos que vinham do fígado, coração e do cérebro e esses espíritos davam ao sangue a essência da vida.

Os anatomistas demonstraram por meio de seus desenhos que o corpo humano aparentava ser uma máquina extremamente sofisticada. No entanto, não foram capazes de explicar a “vitalidade” da vida. Para os experimentalistas do século XVII, havia uma energia misteriosa – a centelha da vida. Mas o que ela seria?

Quando, Luigi Galvani, em 1786, ligou as pernas amputadas de uma rã a um fio de cobre e conectou-as a um balcão de ferro teve uma surpresa e tanto ao observar que elas se contraíram, com isso levantou a hipótese de que a “eletricidade animal” era a força que animava o corpo. A teoria de Galvani foi derrubada quando se tentou ressuscitar um morto com uma descarga elétrica. Este experimento gerou muitas discussões na época e estimulou a imaginação de autores a desenvolver um novo gênero de histórias, a mais famosa delas é a do Frankenstein, de Mary Shelley.

Com a chegada do microscópio em meados do século XVII, nossa compreensão sobre o corpo humano Imagemassumia uma nova dimensão. Robert Hooke foi capaz de observar a célula, peça fundamental da vida. A partir do final do século XIX, o foco se ampliou voltando-se para como as células funcionavam, em meados do século estava claro o papel crucial dos genes.  Ao observar imagens de raio X, Rosalind Franklin foi capaz de fotografar os filamentos individuais de DNA, a partir dos quais Watson e Crick foram capazes de definir e caracterizar a estrutura da molécula que guarda todas as informações genéticas dos organismos dentro das células.

A descoberta da molécula que guarda segredo da vida trouxe consigo importantes avanços no meio científico das últimas décadas, como o sequenciamento do genoma humano e a chegada da engenharia genética. A evolução das técnicas de biologia molecular possibilitou o surgimento de uma abordagem em um nível nunca antes visto, e cujas aplicações são ao mesmo tempo fascinantes, promissoras e até mesmo polêmicas. Por fim, pode-se observar que os avanços que a descoberta do DNA representou à sociedade são muitos, e, quanto mais pesquisas nessas áreas ocorrerem, maiores eles podem ser.

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Livro: Lynch, John; Mosley, Michael. Uma história da ciência. Ed. Jorge Zahar.

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2 respostas em “Em busca da centelha da vida

  1. Olá Vanessa! Muito bacana o seu texto. O primeiro parágrafo, em especial, quando descreve a “receita” do que constitui um ser humano, me fez lembrar de um documentário da BBC chamado ‘A vida secreta do Caos’ (The Secret Life of Chaos). Se vc ainda não viu, sugiro que veja, pode ser que renda algum outro texto seguindo o raciocínio deste.

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