Congressos Científicos

De todas as dificuldades que a escolha de uma vida acadêmica pode trazer, uma vantagem vem, ao meu ver, nos dar bastante glamour e oportunidade: frequentar congressos científicos. Viajar e conhecer pessoas de diversas partes do mundo que tem os mesmos interesses científicos que você é deslumbrante. Os congressos científicos são oportunidades únicas de troca de ideias, sugestões e colaborações.

Em um post anterior discuti sobre O Futuro da Divulgação Científica. Com certeza os meios pelos quais apresentamos nossos dados estão se modernizando. Por outro lado, não acredito que os cientistas deixarão de se reunir para discutir pessoalmente seus resultados e teorias. Existe uma mágica fundamental na ciência que ocorre durante os congressos, simpósios, workshops etc. Segundo Steven Johnson (autor de um video fantástico que questiona a respeito de onde vem as boas ideias: Where good ideas come from), a criatividade e o surgimento de boas ideias são pautados principalmente pela conectividade e pela possibilidade de se trocar “semi-ideias” para se chegar a uma “ideia completa”.

SfN Meeting, Chicago, USA, 2009

Para mim, nada poderá ser mais eficaz que a conectividade pessoal e ao vivo que se dá em congressos e encontros. Esse encontro pessoal já acontece há séculos: do café na esquina com filósofos e médicos há alguns séculos até os congressos gigantescos como o Neuroscience da atualidade, que reune cerca de 40.000 pessoas. Cada encontro com uma característica específica, mas todos com um propósito comum.

No meu caso, já venho participando de congressos há pelo menos 9 anos: nacionais e internacionais. Considero que o aproveitamento de um congresso vem muito da experiência. Não preciso dizer que, em congressos internacionais, o Inglês é obrigatório. No entanto, mesmo com fluência da língua, o desempenho de um pesquisador em um congresso aumenta conforme o tempo. Me refiro a desempenho o quanto de informações, colaborações e exposição de ideias você consegue efetivamente trocar.

Eu mesma apresentando um poster no “35th Annual RSA Scientific Meeting”, que ocorreu entre os dias 23 e 27 de Junho de 2012 em San Francisco, California, EUA.

Exponha-se! Essa é a palavra de ordem. No início, eu achava que um cientista poderia ser um protagonista dos bastidores, ou seja, somente os resultados e gráficos ficariam expostos como celebridades. Errei, e já mudei de opinião! Um cientista tem o dever de ajudar outras pessoas a entender suas teorias. Digo isso não porque devemos convencer a comunidade de que estamos falando a verdade sempre, mas devemos nos utilizar de boa e lógica argumentação para abrir os olhos de outros cientistas. Assim como nós podemos levar um tempo para entender porque determinado resultado é importante, outros podem ser ajudados caso você mesmo exponha seus dados de maneira clara. Colabore para que outros cientistas entendam suas ideias e possam utilizá-las para melhorar as próprias. Não bastam gráficos e números.

Para desempenhar um belo papel como celebridade principal dos seus resultados um cientista deve ser, dentre tantas outras coisas, comunicador. Encadear palavras (na maioria das vezes em inglês) de maneira a passar uma mensagem clara e concisa, mesmo que de resultados complexos é, ao meu ver, uma das principais características que um cientista deve desenvolver. Além de uma pitada de dom, isso surge com treinamento. E os melhores lugares para expor suas ideias científicas para desconhecidos em forma de palavras são os congressos. Pense em uma sessão de poster! O seu ouvinte não terá mais do que cinco minutos para entender seu trabalho. Dependendo de como você o expor, o seu interlocutor pode entender, compreender ou se encantar. Quando alguém se encanta com seus resultados você passa a influenciar uma opinião. E, acreditem em mim, esse processo de encantamento não depende somente dos dados em si, mas também de como eles são expostos dramaturgicamente.

A partir de um determinado período da sua carreira você passa a apresentar resultados e ideias em apresentações orais nos congressos e aí, as oportunidades de encantar uma platéia aumentam. Como fazê-lo? Treine, teste e arrisque-se. Há boas dicas para se construir um bom discurso. Veja:

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Eu acredito que os congressos científicos são momentos únicos para um estudante de pós-graduação, um jovem pesquisador e, também professores aperfeiçoarem seus trabalhos, estarem a par e em contato com o estado-da-arte de determinada área do conhecimento. Além disso, os cientistas tem a oportunidade de se dedicar a uma comunicação informal o que gera rapidez e liquidez das ideias. Com o tempo, o intercâmbio intelectual passa a fluir. Se o encantamento com esse aspecto da ciência te fisgar, você pode até passar a promover eventos. Eu fui fisgada e por isso, e acabei promovendo o I Workshop in Brain Electrophysiology, um dos primeiros eventos científicos que tive o orgulho de ter organizado. Além disso, para os biologistas experimentais, a FeSBE (Federação de Sociedades de Biologia Experimental) é sempre um ótimo lugar para se iniciar o treinamento.

Como eu disse: EXPONHA-SE!

Link relacionado: http://www.ciensinando.com.br/2011/05/sobre-congressos-cientificos/

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4 respostas em “Congressos Científicos

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  2. Adorei. Minha semi-ideia é que devemos nos unir em grupos de trabalho inter e multidisciplinares para aperfeiçoar tanto nossas ideias quanto o resultado de nosso trabalho, quanto nossas capacidades e habilidades pessoais. O conhecimento é complexo. E, considerando que tanto a comunicação quanto a ciência estão em um momento de “revitalização” importantes, é possível que a velha e empoeirada máxima ganhe uma relevância maior e mais cult: “duas cabeças pensam melhor que uma”. E, pelo que merece, se essas cabeças estiverem motivadas e excitadas na mesma intensidade: sai de baixo!

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