Fugiu pra onde?

Quem vive no mundo científico já está acostumado a conhecer pessoas que já fizeram, fazem ou farão parte da sua formação em algum país estrangeiro. Consequência da globalização e da interação entre cientistas nos diversos encontros e congressos internacionais, a integração entre laboratórios e pessoas do mundo inteiro se intensificou e facilitou a circulação de indivíduos. Esse comportamento de saída de cientistas – pesquisadores, pós-graduandos ou graduandos – do seu país de origem para outro com intuito de trabalho/pesquisa ficou conhecido no Brasil como “fuga de cérebros”.

Além do incentivo por parte das instituições de pesquisa, o governo brasileiro vem estimulando fortemente esse comportamento através de programas como Ciência sem Fronteiras, o qual proporciona a graduandos e pós-graduandos a oportunidade de adquirir experiência de pesquisa científica internacional. Todavia, apesar do alto estímulo, o quadro do Brasil no cenário da “troca de cérebros” não é tão bonito assim.

Uma pesquisa recente do National Bureau of Economic Research avaliou os padrões de mobilidade (imigração e emigração) de cientistas de 16 países, incluindo o Brasil, em 2011 e obteve resultados muito interessantes.

-Imigração

O país que mais recebe pesquisadores estrangeiros é a Suíça (56,7%) seguida pelo Canadá (46,9%), Austrália (44,5%) e EUA (38,4%), sendo que o Brasil se encontra muito atrás desses países, apenas 7,1% dos pesquisadores são estrangeiros. Dos pesquisadores no Brasil, 16% são argentinos, 14% franceses, 12% colombianos e 12% peruanos indicando que somos mais procurados por nossos vizinhos sul-americanos.

Oportunidade para melhorar futuras perspectivas da carreira, Ótimos membros, colegas ou equipe de pesquisa e Excelência/prestígio da instituição estrangeira na sua área de pesquisa foram os principais motivos de saída dos pesquisados sendo Razões familiares ou pessoais e Melhores benefícios extras os menos relevantes.

-Emigração

A Índia lidera os países que mais exportam cientistas com 39,8% de indivíduos no exterior, seguida de Suíça (33,1%), Holanda (26,4%) e Reino Unido (25,1%). Novamente o Brasil se encontra longe dos líderes, apenas 8,3% dos cientistas estrangeiros são brasileiros. O principal país de destino para aqueles que saem de seus países é o EUA.

No entanto, quem sai também volta (ou não!). O Japão lidera na taxa de retorno daqueles com experiência estrangeira com 92% de retorno, sendo seguido por Espanha (86,7%) e Brasil (83,7%). Os pesquisadores indianos são os que menos retornam apenas 47,1% seguidos por Holanda (50,3%) e Reino Unido (55,4%).

Os principais motivos de retorno foram: Razões familiares ou pessoais, Melhor qualidade de vida e Melhores oportunidades de emprego ou perspectivas de carreira.

Gráfico com a porcentagem de cientistas imigrantes e emigrantes  de cada país.
Dados de Foreign born scientists: Mobility patterns for sixteen countries/NBER

Uma informação adicional analisada que funciona como indicador da qualidade da produção de cada país – fator relevante na hora da decisão do país a ir – foi feita através da análise do número total de citações do trabalho dos pesquisadores escolhidos. Na liderança se encontram Suíça, EUA e Reino Unido e na lanterna nosso querido Brasil.

Diversas questões devem ser levadas em consideração ao analisarmos esses dados como fatores socioculturais e geográficas, no entanto fica clara a ínfima participação do Brasil no contexto da “troca de cérebros”. Poucas pessoas saem e poucas entram, um dos motivos pode ser a baixa qualidade dos trabalhos brasileiros. Vale resaltar que grande parte dos brasileiros que saem, retornam. Isso significa que as experiências obtidas no exterior são trazidas na bagagem e compartilhadas, favorecendo o crescimento da pesquisa científica nacional.

Para acessar o trabalho completo, clique aqui.

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