O poder de um sorriso!

Dizem que quando você beija alguém na boca movimenta diversos músculos faciais, mas existe um outro uso desses músculos que pode disparar efeitos psicológicos mais fortes em outras pessoas: sorrir. O sorriso é uma das feições que não me parece ser afetado pela cultura. Eu não conheço um relato de uma região no mundo na qual seja proibido sorrir ou que um sorriso represente qualquer outra coisa que não satisfação, alegria e felicidade. Da Terra del Fuego aos esquimós do extremo norte, “um sorriso vale mais do que mil palavras” e, por isso mesmo, não preciso descrevê-lo.

Digitei a palavra “smile” (sorriso em inglês) em uma das bases de dados mais frequentadas pelos cientistas de todo o mundo (pubmed.com) e descobri que o artigo mais antigo que trata desse assunto, registrado nessa base, é intitulado: The Nature of the Smile and Laugh de autoria de George V. N. Dearborn da Harvard University, publicado na revista Science (uma das revistas mais prestigiadas na área científica) em 1o de junho de 1900. Já se vão mais de 100 anos que estudamos cientificamente o poder do sorriso. Em seu texto, George Dearborn descreve que os sorrisos verdadeiros vem de estímulos que causam realmente prazer. Outros estímulos, sarcásticos ou dolorosos, desencadeiam o que ele chamou de “smile-like” (ou “gesto parecido com um sorriso”). Na minha opinião é muito importante aprendermos a distinguir entre diferentes tipos de sorrisos para não nos enganarmos com as intenções das outras pessoas. Prestem atenção em olhos e altura dos lábios.

Outro ponto importante colocado por George Dearborn foi que mesmo em um recém-nascido já é possível observar que os olhos e, especialmente a boca, mostram um sorriso incipiente que pode ser traduzido como um reflexo mecânico facial da sensação de prazer. É muito interessante notar que um bebê pode não ter um domínio completo do movimento de suas pernas, braços e mãos (por exemplo, ao tentar colocar a mão na boca, um bebê erra inúmeras vezes), mas é evidente que um bebê tem um controle eficaz dos músculos faciais, uma vez que pode controlá-los para gerar uma expressão facial como o sorriso. Essa expressão envolve a ação simultânea de mais de uma dúzia de músculos de cada lado da face. O sorriso pode ser uma característica inata e não menos importante do que as ações mecânicas de sucção de leite ou digestão. Por uma questão evolutiva tanto o chorar quanto o sorrir parecem fazer parte da comunição inicial de um recém-nascido. O senhor George Dearborn ficaria surpreso hoje em dia com as ultrasonografias que mostram que bebês, mesmo dentro da barriga das mães, já expressam feições sorridentes.

E outros animais? Podem eles expressar sorrisos? Veja as fotos do site: “smiling-animals-world-smile-day“. Alguns exemplos estão abaixo. Para mim todos eles parecem estar bem satisfeitos com a situação a qual foram expostos. Desde 1900, George Dearborn descrevia que: “Dogs and monkeys are not infrequently seen to smile, and there are many who consider certain joyous manifestations in other animals as properly laughter.”. Sei que este ponto é discutível, mas com certeza o ser humano é afetado positivamente por feições como essas abaixo, mesmo quando vindas de outras espécies.

A expressão do sorriso é tão importante para a comunicação humana que, mesmo em ambientes virtuais, nos utilizamos de artifícios para essa expressão, como por exemplo, o  tão popular Smile. Essa carinha sorridente amarela é utilizada milhões de vezes ao dia por intenautas do mundo inteiro. É a melhor forma de expressão de satisfação e alegria em relação a um evento qualquer quando não temos nossa própria face para expor nosso sentimento. Digita-se dois pontos seguidos do parênteses de fechamento – : ) -. Muitos programas já trocam esses símbolos pela figura ao lado. 

E eu com meu viés científico relacionado à teoria da recompensa e do sistema neuronal associado com a motivação, não posso deixar de comentar que uma boa gargalhada também causa uma sensacão de prazer, ou seja, não só o prazer causa um sorriso mas ele por si induz prazer. Um sistema positivo de retro-alimentação muito interessante. Será que é por isso que as vezes tenho crises de riso? Esse efeito é associado biologicamente à liberação de neurotransmissores como dopamina e serotonina em regiões de recompensa cerebral. Além disso, um sorriso relaxa o organismo e contribui para a melhora da saúde!

Em resumo, sorria:

Com tantas vantagens do sorrir, aparentemente podemos abusar dele. Além de nos fazer bem, ele afeta fortemente outros ao nosso redor. Como mencionado pelo palestrante do vídeo colocado acima, Ron Gutman: um sorriso pode causar sorrisos em outras pessoas e criar um ciclo vicioso no mínimo curioso. Um exemplo disso, utilizado em publicidade de uma forma brilhante, foi uma promoção da Brastemp de 2010 : “O dia em que um sorriso parou São Paulo”. Na realidade, eu acho que as pessoas nem precisariam estar ouvindo o rádio para sorrir de volta!

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Outro link interessante:

http://www.worldsmileday.com/

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3 respostas em “O poder de um sorriso!

  1. Quanto ao caso dos animais. Essa é uma tendência falaciosa de interpretar o comportamento deles como se fossem humanos. Para interpretar um comportamento animal temos que adotar a perspectiva dele. Uma hiena que “ri” não está feliz, é, na verdade, uma comunicação que pode ser até de perigo. É uma falácia que viralizou pela cultura do “oh cute”.

    abraço

    • Oi Cesar,
      Concordo com o seu comentário. Não devemos humanizar o comportamento animal. Por outro lado, não devemos subestimar os animais em sua capacidade de demonstrar fisicamente sentimento de alegria e outros. O Prof. Nicholas Dodman defende a ideia que os animais podem sim demonstrar seus sentimentos. O sorriso ganha uma dimensão mais ampla que não só o suspender de lábios que vemos nos humanos. Mesmo no ser humano, é possível identificar sorrisos observando somente os olhos da pessoa.
      Independentemente das feições dos animais serem sorrisos, é nítido que os animais estão com feições de satisfação. Além disso, quis chamar a atenção para o fato de que essas feições de alegria dos animais afetam também o ser humano.

      • Sem dúvida a comunicação inter-específica lança mão da empatia e, consequentemente, do reconhecimento das reações do outro, ou seja, sabemos se os animais gostam ou não de algo, sabemos quando eles estão alegres pelas linguagem corporal deles e eles pela nossa.
        Apenas quis chamar atenção para a não separação do comportamento de sorriso como algo específico humano da manifestação de alegria ou similar, que é reconhecido em outras espécies. Animais não sorriem, a maioria nem possui anatomia para isso, mas expressam sua alegria de um modo que reconhecemos, pois temos uma evolução conjunta (cães e gatos ao menos).

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