Ciência Open Source

Há alguns anos atrás, quando participei de pesquisas durante minha iniciação científica, me recordo de como eram tratados os bancos de dados. Em resumo, somente determinadas pessoas tinham acesso a ele, com login restrito, senhas para acesso, sem possibilidade de acessá-lo de outro computador, e mais importante, o acesso ao banco deveria ser acompanhado de uma assinatura datada.

Bem, cuidados importantes quando se quer manter o sigilo das informações e a organização das mesmas. Porém, pairava no ar muitas vezes uma espécie de paranoia sobre possíveis cópias do banco, e os detentores destes dados deveriam defendê-lo quase que com uma espada na mão e um escudo na outra. Muitas vezes por medo de que os dados fossem utilizados por terceiros e rendessem publicações.

Mas eu aqui questiono: Detentores dos dados??? Quem são ao final os reais detentores destes dados? O pesquisador ou a sociedade? Essa pergunta para mim é de fácil resposta, pois ela vem atrelada à outra questão: O porquê de um estudo científico. Para sustento do ego do pesquisador assim como de seu currículo ou gerar algum benefício à sociedade. Não me resta dúvida que é pela segunda opção. Além disso, muitas pesquisas no Brasil e no mundo são fomentadas por órgãos que recebem verbas públicas, ou seja, dinheiro proveniente do povo.

Acho que cientes disto, muitos pesquisadores se envolveram com o que chamo de Ciência Open Source, ou seja, a ciência de livre acesso para todos. Neste novo paradigma, bancos de dados são disponibilizados para que diversos pesquisadores possam analisá-los e produzir o conhecimento das centenas de variáveis estudadas. Além disso, têm-se inúmeros exemplos de periódicos científicos de acesso livre, e com qualidade (muitos ainda cobram para que seu artigo seja de acesso livre, mas estes custos são normalmente referentes aos custos da publicação). Além disso, existem inúmeros sites com aulas online gratuitas, inclusive de universidades renomadas mundialmente. Basta se cadastrar e desfrutar (acesse nosso acervo e lá você encontrará vários exemplos como o Coursera, iBio Seminars e Veduca).

Mas vamos nos ater aos bancos de dados. Mesmo ainda não sendo tão visível no Brasil a compreensão de que bancos de dados são domínios de ordem pública, tanto porque foram financiados muitas das vezes com dinheiro público e tratam da sociedade, e por isto devem retornar a ela, aos poucos isso vem mudando. Recentemente em um congresso internacional, me deparei com algo que nunca imaginaria há 5 anos atrás. Banquinhas oferecendo bancos de dados para que você possa analisá-los sem quaisquer custos. Bancos de dados imensos, que provavelmente nunca seriam completamente analisados e teriam um fim social se não fossem disponibilizados. Se você quer conhecer alguns, segue uma listinha feita neste blog com mais de duzentos http://www.datawrangling.com/some-datasets-available-on-the-web.

Grande parte dessa evolução se deu com a rápida expansão da internet como fonte de conhecimento e distribuição do mesmo (se por acaso você ainda não viu, vale a pena reler o texto publicado aqui no Prisma anteriormente: O futuro da divulgação científica!, que inclusive teve um pedido de post sobre Open Source feito pelo Henrique Gomide).

Enfim, esse novo paradigma que estamos vivendo, tem se mostrado como uma importante forma de divulgação da ciência, evitando que o conhecimento seja retido nas mãos de poucos. E, consequentemente, permitiu-se que o acesso ao conhecimento científico se tornasse mais amplo, chegando ao seu primordial fim, a sociedade.

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4 respostas em “Ciência Open Source

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