Ciência (Ig)Nobre

Stinker, o mascote do IgNobel

Semana passada eu vi uma matéria no Yahoo sobre o prêmio IgNobel. Já ouvira falar sobre o tema antes, e me chamou a atenção um fato, que eu comentarei ao final do post.

O Prêmio IgNobel, uma paródia do Prêmio Nobel, nomeia e premia alguns trabalhos, digamos, irreverentes. Segundo o site, a ideia é primeiro fazer as pessoas rirem e depois fazê-las pensar. Além disso, tem como objetivo também trazer a ciência, tecnologia e medicina para o interesse das pessoas.

O Prêmio é simbólico, não existe uma bonificação em dinheiro para os ganhadores. Todo ano ocorre uma cerimônia em Harvard nos Estados Unidos, e o Prêmio IgNobel é entregue por ganhadores do Prêmio Nobel.

Se você abrir o link do Yahoo, verá quais são os ganhadores desse ano. Há outros interessantes, como o o alarme de Wasabi; tratamentos para asma em montanhas-russas; tomadas de decisões quando se está com vontade de urinar; tranformar tequila em diamantes; que plantas têm dignidade; uma estátua que não atrae pombos; o registro de um neurônio de um grilo enquanto ele assite Star Wars; os efeitos colaterais de engolir espadas…

Alguém pode estar pensando que o objetivo do IgNobel é desmerecer a ciência. Retirei um trecho do site (em tradução livre):

Vocês estão ridicularizando a ciência?

“Não. Estamos honrando feitos que fazem as pessoas rir, depois pensar. Bons feitos ou descobertas também podem ser estranhas, engraçadas ou até absurdas; assim como os maus feitos. Boa parte da boa ciência é criticada por causa de sua absurdez. Boa parte da má ciência é respeitada apesar de seu absurdo”.

Voltando ao Prêmio desse ano, vamos pegar o ganhador de Neurociências, o da atividade cerebral em um salmão morto. Engraçado, não? O primeiro objetivo do Prêmio IgNobel foi atingido. Agora vamos a parte que nos faz pensar. Se você tiver um tempo sobrando e entender um pouco de inglês, tente ler o trabalho dos autores. Nele, há uma metodologia científica muito bem estabelecida; há uma pergunta e um experimento. Além de um certo tom humorístico. Porém, esse é um trabalho que critica como as análises de ressonância magnética são feitas sem um controle adequado, sem tomar cuidado com falsos negativos (ou erro Tipo II). Segundo objetivo alcançado.

A primeira vez que eu ouvi falar sobre o IgNobel foi em 2000, onde Andre Geim e Sir Michael Berry ganharam o IgNobel de física por levitarem uma rã (e outros items) utilizando um campo magnético contrário ao campo gravitacional. Claro que pensar em uma rã levitando é engraçado, mas pensem um pouco em aplicações dessa técnica. Sensacional!

Fato interessante: para você que ainda está pensando que esses cientistas só fazem pesquisas e experimentos malucos que não levam a lugar nenhum, Andre Geim ganhou o Nobel de física em 2010, pelas pesquisas sobre um outro tópico, o Grafeno.

Não existe conhecimento não utilizado! Uma hora será de grande utilidade. Refrate você também conosco! Deixe um comentário!

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4 respostas em “Ciência (Ig)Nobre

  1. Pingback: Engenharia da natureza | Prisma Científico

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