O homem que alimentou o mundo

Em meio a petições no Facebook e protestos em Wall Street me peguei pensando no que fazemos pra tornar o lugar em que vivemos um lugar melhor. Exemplos desta prática são executados por diferentes pessoas, individualmente ou em grupo, ao redor do mundo pelas mais diversas maneiras. Seja através da promoção de feiras de adoção de animais ou ensinando pessoas carentes a ler e escrever, cada um dá seu toque no quadro do mundo melhor.

Norman BourlagE aqueles  que fazem a ciência, como será que eles contribuem para a melhoria do seu ambiente através de seu trabalho? Afinal de contas, o objetivo final sempre é gerar um bem maior do que simples relatórios e artigos científicos. Um bom exemplo de um cientista que foi muito além dessas “trivialidades” é o de Norman Borlaug.

Norman nasceu em 1914 na cidade de Cresco no estado de Iowa, Estados Unidos. Dos sete até os dezenove anos de idade trabalhou na fazenda da sua família ao mesmo tempo em que frequentou o ensino fundamental e ensino médio na sua cidade natal. Em 1933, por incentivo de seu avô e graças a uma grande aptidão atlética, Norman deixou a fazenda pra trás e se matriculou na Universidade de Minessota onde cursou Forestry, um curso similar à engenharia florestal.

Norman quando lutava luta greco-romana

Norman quando lutava luta greco-romana

Dois fatos muito interessantes ocorreram durante a graduação de Norman que influenciaram sua vida, e consequentemente, seu trabalho. Devido a dificuldades financeiras, Norman teve que interromper seus estudos algumas vezes para trabalhar e poder pagar por sua educação. Em um de seus empregos ele liderou um grupo de homens que participavam do programa Civilian Conservation Corps (CCC). Este programa empregava homens solteiros, entre 18 e 25 anos de idade desempregados. Grande parte desses trabalhadores não tinha dinheiro nenhum e por isso passavam fome. Anos depois, relembrando os tempos que trabalhou no CCC, Bourlag declarou:

“I saw how food changed them… All of this left scars on me.” – Eu vi como o alimento mudava eles… Tudo isso deixou cicatrizes em mim

O segundo ponto que definiu sua vida foi o contato com o professor Elvin Charles Stakman, responsável pelo grupo de patologia vegetal na Universidade de Minessota e futuro orientador de Bourlag. Sob a supervisão do professor Stakman, Norman obteve os títulos de mestre (1940) e doutor (1942) em patologia e genética vegetal.

norman-borlaug 2Após trabalhar por dois anos (1942-1944) numa empresa de produtos químicos, Norman foi convidado para participar de um programa proposto pelos governos dos EUA e México para revitalização do solo e desenvolvimento de plantações milho e trigo em território mexicano. Durante sua primeira década neste programa, Norman teve de lutar contra as adversidades geográficas e culturais, e após muito trabalho (e mais de 6000 cruzamentos entre espécies de trigo), seu grupo desenvolveu espécies resistentes a diferentes patologias e capazes de sobreviver em ambientes heterogêneos.

A partir desse momento, as sementes de Norman fizeram muito sucesso e deram início à Revolução Verde.

Em 1963, após se tornar diretor de um programa internacional de desenvolvimento de trigo, Bourlag e suas sementes foram para a Índia e Paquistão para tentar combater fome gerada pela guerra Sino-indiana. Mais uma vez, Norman enfrentou suas velhas inimigas: a barreira geográfica e cultural. A crise enfrentada por esses dois países era tão grande que levou o biólogo Paul R. Ehrlich a prever, em 1968 no seu best-seller The Population Bomb, desdobramentos catastróficos para toda a população indiana e paquistanesa.

Wheat_yields_in_selected_countries,_1951-2004

Durante seus anos de trabalho nesses dois países, Norman teve de trabalhar em meio à tensão da guerra. Como resultado de seu esforço e de toda sua equipe, a produção de trigo paquistanesa passou de 4,6 milhões de toneladas em 1965 para 7,3 milhões em 1970. Já na Índia, a produção que antes era de 12,3 milhões de toneladas em 1965 passou a ser de 20,1 milhões de toneladas no ano de 1970. Este mesmo país, em 1974, se tornou autossuficiente na produção de todos os cereais.

Em retribuição a seu trabalho na erradicação da fome no mundo, Norman Bourlag foi premiado com o prêmio Nobel da Paz no ano de 1970.

O primeiro componente essencial para justiça social é comida adequada para toda a humanidade – Norman Bourlag em seu discurso de aceite do prêmio Nobel da Paz.

O primeiro componente essencial para justiça social é comida adequada para toda a humanidade – Norman Bourlag em seu discurso de aceite do prêmio Nobel da Paz.

Norman se aposentou da posição que tinha em projetos do governo em 1979, mas continuou desenvolvendo parcerias para o desenvolvimento de outros tipos de cereais. Em 1984, assumiu uma posição de professor e docente na Universidade Texas A&M e fundou o Instituto Norman Bourlag para Agricultura Internacional.

Em 2009, Norman Bourlag faleceu aos 95 anos de idade na cidade de Dallas, Texas.

Apesar de tudo isso, muitos ambientalistas e nutricionistas criticam o trabalho de Bourlag por dois motivos principais: o primeiro deles é de que o cruzamento entre diferentes espécies de variedade alimentícias é algo não natural e potencialmente nocivo. A outra crítica é de que a ideia de Norman favorece a monocultura e exploração agrícola intensiva favorecendo empresas de agronegócios como a Monsanto e não a população em si.

De qualquer maneira, Norman fica como um grande exemplo de cientista que tirou a “barriga da bancada” e foi mudar o mundo a sua volta aliando profissão, talento, e mais importante ainda, determinação.

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