Diga-me o que teu corpo diz e te direi quem és

O que seu corpo está dizendo neste momento? Você já parou para pensar no quanto sua linguagem corporal durante uma apresentação, uma entrevista de emprego ou mesmo um bate-papo entre amigos pode dizer sobre seus sentimentos naquele momento?

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Comportamentos recorrentes como cruzar os braços, cerrar os punhos, contrair os lábios, balançar as pernas, entre outros, constituem uma forma de comunicação não verbal que geralmente acontece inconscientemente. Segundo um estudo da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), cerca de 93% da comunicação se dá por vias não verbais e nem sempre nos damos conta disso, pois nos condicionamos a dar mais atenção ao discurso.

Dentro da vasta gama de comportamentos não-verbais, vamos focar naqueles que remetem ao poder, sendo categorizados em posturas de alto poder (dominação) e de baixo poder (submissão).

Tais comportamentos não se restringem apenas aos seres humanos. Posturas de dominação, por exemplo, podem ser observadas em diversas espécies por meio de movimentos de expansão, nesse caso, os animais tendem a se esticar, abrir suas asas no caso das aves, sempre no sentido de expandir-se. Em contrapartida, posturas de submissão podem ser observadas por meio de movimentos de contração, como encolher-se, abaixar-se, cobrir-se, ou seja, ocorre sempre no sentido de se fechar ou diminuir. Em seres humanos, as posturas de alto e baixo poder acontecem no mesmo sentido.

Pessoas que ocupam cargos de liderança tendem a ser mais confiantes e menos reativas ao estresse. Fisiologicamente, o sentimento de poder pode ser relacionado com o balanço de dois hormônios chaves: a testosterona, que é relacionada ao comportamento agressivo, entre outras coisas, e ao cortisol, hormônio relacionado com o estresse.

Da mesma forma que a alteração desses hormônios nos faz sentir mais poderosos, seria possível alterar determinados parâmetros fisiológicos a partir de mudanças comportamentais?

A psicóloga social e pesquisadora, Dra. Amy Cuddy, utiliza métodos experimentais para investigar como as pessoas julgam umas a outras. Um dos trabalhos realizados por sua equipe verificou que mudanças temporárias na postura corporal foram capazes de alterar determinados parâmetros fisiológicos nos participantes desse estudo.

Nesse trabalho, um grupo de participantes deveria permanecer em poses de alto poder enquanto outro grupo em poses de baixo poder por 2 minutos. Em seguida, foram retiradas amostras de sangue e medidos os níveis dos hormônios testosterona e cortisol.

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Foi observado que o grupo que permaneceu em poses de alto poder apresentaram aumento dos níveis de testosterona e diminuição dos níveis de cortisol. Enquanto, o outro grupo apresentou o efeito oposto, ou seja, diminuição dos níveis de testosterona e aumento dos níveis de cortisol.

Além da alteração dos parâmetros fisiológicos, o grupo que permaneceu em poses de alto poder relatou que se sentiram mais poderosos ao final do experimento. Esse resultado chama atenção sobre como pequenas mudanças temporárias no comportamento podem influenciar nossa fisiologia e nossa mente.

Depois de ler esse trabalho fiquei pensando por muito tempo no tipo de informação que transmitimos inconscientemente e nas implicações disso tudo em situações em que precisamos convencer os outros, como entrevistas de emprego, palestras e muitas outras. Além disso, julgamentos e inferências podem ser feitos a partir de uma observação minuciosa de tais comportamentos e a qualquer momento você pode ser avaliado por isso, podendo influenciar quem promoveremos, contratamos ou chamamos para um encontro.

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Referências:

Carney, Dana R., Amy J.C. Cuddy, and Andy J. Yap. “Power Posing: Brief Nonverbal Displays Affect Neuroendocrine Levels and Risk Tolerance.”Psychological Science 21, no. 10 (October 2010): 1363–1368.

Sherman, Gary D., J. J. Lee, A.J.C. Cuddy, Jonathan Renshon, Christopher Oveis, James J. Gross, and Jennifer S. Lerner. “Leadership Is Associated with Lower Levels of Stress.” Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America 109 (2012): 17903–17907.

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5 respostas em “Diga-me o que teu corpo diz e te direi quem és

  1. Se mal conseguimos controlar nossa fala no momento de um discurso importante (aula, defesa da tese, apresentação de projetos, rs), quem dirá controlar nossa postura corporal…. Talvez nos falte treino para isso também…

    • A postura não deve, nem pode ser controlada. Deixe que seu desempenho, inconscientemente, cuidará dela. À medida em que a fala adquirir o ritmo esperado, o corpo ficará mais à vontade.

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