Transparente para visualizar melhor? A técnica CLARITY

É isso mesmo que você leu. A mais nova técnica para trabalhar com tecido animal e desvendar mistérios da conectividade cerebral foi publicada no dia 10 de abril de 2013, por diversas páginas da internet nos EUA, inclusive o New York Times. O Prof. Dr. Karl Deisseroth da Universidade de Stanford nos EUA, aquele mesmo professor que ajudou a idealizar a fantástica técnica de Optogenética (já descrita anteriormente neste blog: Iluminando a Neurofisiologia! e Iluminando a Neurofisiologia! Uma outra refração), juntamente com sua equipe de pesquisa criaram uma tipo de tratamento do tecido cerebral que o torna transparente e permite a visualização das conexões entre diversas regiões cerebrais. Vejam o vídeo publicado no site da Nature:

Neste vídeo são mostrados, em imagens tridimensionais, neurônios da região hipocampal de um camundongo (região importante para a formação de memórias) e também, neurônios e projeções do lobo frontal de uma criança de sete anos que tinha autismo. Até antes dessa publicação, as técnicas para visualização das conexões entre neurônios não eram claras e precisas. O grande problema: o tecido é formado por muita gordura, lipídeos que formam as membranas das células. A gordura deixa o tecido opaco. Para dissolver essa gordura, sem acabar com a estrutura celular, os cientistas trataram o tecido com um gel aquoso (hidrogel). Olhem na figura abaixo a aparência de um cérebro de camundongo antes (a esquerda) e depois (a direita) do tratamento com o hidrogel. Fantástico, né?

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O tecido está transparente à luz mas também é permeável a moléculas que podem marcar os neurônios ou células de interesse a serem estudadas. Com isso, se formam as imagens fluorescentes de diversos tipos celulares e diversas regiões. Você pode marcar neurônios excitatórios em uma cor, inibitórios em outra, células gliais em outra e analisá-las em conjunto ou separado. É importante pontuar que essa técnica pode ser utilizada para outros órgãos do corpo humano e para tecidos guardados de pacientes que já morreram há alguns anos atrás.

, Santiago Ramón y Cajal (1852–1934)

Gostaria de pontuar que o pai da Neurociência moderna, Santiago Ramón y Cajal (1852–1934), neurocientista, histologista e patologista espanhol, ficaria deslumbrado como já evoluímos dos seus desenhos neuronais feitos a mão para imagens tridimensionais e coloridas. As possibilidades que surgem com a técnica CLARITY são imensas.

O estudo das conexões cerebrais recebe o nome de conectoma. No início deste ano (2013), o presidente dos EUA, Barack Obama anunciou: “Se nós queremos fazer melhores produtos, nós precisamos investir nas melhores ideias… Cada dólar que nós investimos no mapa genômico humano retornou 140 dólares para nossa economia… Hoje, nossos cientistas estão mapeando o cérebro humano e desvendando respostas para a doença de Alzheimer, por exemplo… Agora não é o tempo de se cortar os investimentos para esses cargos e inovações. Agora é o tempo de se alcançar níveis de pesquisa e desenvolvimento não vistas desde a Corrida Espacial.” (livre tradução, texto original ao final desde post). Aparentemente, eles já estão no caminho certo.

Para mim, poderíamos dizer que a técnica CLARITY, desenvolvida pelo Prof. Dr. Karl Deisseroth, será como um GoogleEarth para o cérebro, e quem sabe para outras regiões do nosso organismo também. Isso sim é fantástico!

see through brain reduced colours

REFERÊNCIAS:

Citação original da declaração do presidente dos EUA, Barack Obama:If we want to make the best products, we also have to invest in the best ideas… Every dollar we invested to map the human genome returned $140 to our economy… Today, our scientists are mapping the human brain to unlock the answers to Alzheimer’s disease, for example… Now is not the time to gut these job-creating investments in science and innovation. Now is the time to reach a level of research and development not seen since the height of the Space Race.”.

http://www.nature.com/news/see-through-brains-clarify-connections-1.12768?WT.ec_id=NATURE-20130411

Nature 496, 151 (11 April 2013) doi:10.1038/496151a

4 respostas em “Transparente para visualizar melhor? A técnica CLARITY

  1. Pingback: As sete maiores descobertas científicas de 2013 | Prisma Científico

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