Ciência “sem” dinheiro, banho e água suja!

Apesar de parecer distante, o que me levou a escrever esse post foi uma nova regra da FAPESP (órgão financiador de Ciência do Estado de São Paulo) que não permite mais que pesquisadores tenham mais de um Auxílio à Pesquisa Regular vigente. Entre críticas e discussões com amigos, acredito que essa regra pode, em alguns aspectos, até ajudar a definir objetivos científicos para que alunos de Iniciação Científica, Pós-Graduação e PostDocs sejam liderados em linhas de pesquisas maiores, porém bem objetivas. No entanto, não quero fazer deste post um texto filosófico a respeito da política de financiamento, mesmo porque entendo que existem pontos contrários a essa nova regra acerca dos Auxílios. Além disso, preciso deixar claro também que tenho plena consciência da importância do investimento financeiro do país para o desenvolvimento da Ciência, mas é bom falar de exemplos que se valeram mais de criatividade do que de tecnologias avançadas.

O fato é que dois Cientistas apresentaram soluções bem interessantes para um dos maiores problemas do futuro da humanidade: a falta de água! Queria abordar esse tema bem popular aqui no Prisma, usando exemplos diferentes! Ludwick Marishane e Michael Pritchard criaram seus produtos sem um “Auxílio à Pesquisa”! 😉

O banho sem água!

DryBathPode parecer muito estranho mas, para aqueles que não gostam de tomar banho ou para aqueles que não tem acesso à água, o banho sem água já é uma realidade. O estudante Ludwick Marishane de origem africana, da cidade de Limpopo, desenvolveu uma loção que tem um poder de limpeza anti-bacteriana e que cria um filme biodegradável que limpa e hidrata a pele. Assista o vídeo, é o próprio Ludwick Marishane falando sobre o desenvolvimento de sua pesquisa e a criação do DryBath. Clique aqui.

Ludwick Marishane

O jovem empreendedor Ludwick Marishane conta a impressionante e engraçada estória de como ele inventou uma solução barata, limpa e conveniente: DryBath, a primeira loção substituta de banhos do mundo.

Considerando que já temos evidências fortes de que a água será um produto escasso no futuro, esse tipo de inovação tem um impacto direto na sustentabilidade do planeta. Mesmo atualmente, milhares de pessoas vivem sem acesso à água. Apesar de toda a importância ecológica do produto que Ludwick desenvolveu, queria chamar a atenção para o fato de que ele realizou toda a pesquisa prévia, sobre loções e limpeza da pele, utilizando somente um celular antigo. Pois é, ele não tinha um laptop, não tinha internet disponível a não ser por uma pequena Lan House da cidade. Para mim, isso é admirável! Talvez a característica principal de Ludwick foi a persistência e curiosidade a respeito de ficar sem tomar banho, que confesso ter também…

Estou pensando em abrir uma filial e vender DryBath no Brasil, será que faz sucesso? 😉

O purificador de água suja!

Se pessoas morrem de doenças relacionadas à falta de higiene, saneamento básico e banho, imaginem a quantidade delas que morrem por simplesmente não beber água potável ou por beber água contaminada por agentes biológicos, desencadeando o aparecimento de doenças do aparelho digestório. Acreditem, tem muita gente que ainda morre de diarréia! Isso acontece não só porque essa pessoas residem em lugares com situações climáticas adversas, mas também por viverem em lugares atingidos por desastres naturais. O engenheiro Michael Pritchard se irritou com esse tipo de situação e desenvolveu o filtro portátil Lifesaver, que transforma a água contaminada em potável, em apenas alguns segundos.  E ele fez isso na garagem e cozinha da sua própria casa. De início, sem nenhum auxílio de uma agência de fomento.

A ideia é bem simples: fazer a água passar por microtúbulos de diâmetro menor que a menor bactéria e principalmente o menor vírus que existem. E pronto! Da água suja de um rio é possível obter água limpa e consumível. Vale a pena lembrar que no caso do purificador de Michael Pritchard não tratamos da poluição química: com nitritos, nitratos e metais pesados. Mesmo assim, conseguir uma água livre de contaminação biológica já pode ajudar muitas pessoas, de todas as partes do planeta. Vale a pena assistir o vídeo! Ele faz uma boa demonstração do Lifesaver. Para ver o vídeo, clique aqui.

Engenheiro Michael Pritchard inventou o filtro portátil Lifesaver,que transforma a água mais podre em potável em segundos.

Vale lembrar que existem outros inúmeros projetos que buscam melhorar as condições que utilizamos a água e, assim, diminuir o impacto que sua falta pode causar para a sociedade. No entanto, são notáveis os exemplos aqui citados não só pelos produtos que desenvolveram mas também por se valerem de determinação pessoal. ..

Concordo que a Ciência precisa do investimento financeiro e das tecnologias avançadas e caras, mas talvez precisamos tomar o exemplo da determinação e dedicação desses cientistas caseiros para melhorarmos a administração dos recursos que recebemos e, com o tempo, desenvolvermos uma Ciência de maior impacto com um grupo de pesquisa trabalhando por um objetivo comum e coeso.

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3 respostas em “Ciência “sem” dinheiro, banho e água suja!

  1. Esses dois exemplos são de empreendedores: Pessoas que criaram produtos para serem comercializados. O objetivo dessas pessoas não está especificamente no conhecimento científico, mas sim na obtenção de lucro. Tudo bem em relação a isso (é exatamente dessa forma que o mundo capitalista se desenvolve). No entanto, é preciso lembrar de dois pontos aqui: Nenhum banho a seco substitui de fato um banho com água (em termos de saúde), e para matar microrganismos em água, basta fervê-la.

    • Oi Angela! Obrigada pelo comentário!
      Não há problema nenhum em se fazer ciência empreendedora! 🙂 A Ciência também pode buscar um conhecimento aplicado e tirar proveito financeiro disso! É exatamente isso que falta no Brasil e que algumas agências financiadoras estão tentando motivar. Portanto, os dois exemplos que dei são sim desenvolvimento científico. Além disso, o intuito inicial deles não era exatamente a obtenção de lucro, isso veio como consequência da qualidade de suas invenções.
      Em relação ao banho, o produto que foi descrito serve sim para substituir o banho com água em situações adversas: aonde falta água, por exemplo! A aplicação do DryBath previne de doenças associadas à falta de higiene, o Tracoma como exemplifica o próprio inventor.
      Em relação ao purificador de água, não podemos simplesmente ferver água em algumas situações de contaminação. Existem bactérias e vírus resistentes a temperaturas de 100o Celsius, que é a temperatura que a água chega ao atingir o ponto de ebulição. 🙂

      Espero ter respondido às suas dúvidas.

      Abraços!

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