Você é o que você escuta?!

MainZ17472Do toque do tambor aborígene até os acordes mais pesados de guitarras do rock, um fato indiscutível é a força que a música tem para expressão dos indivíduos na sociedade. A expressão musical é reconhecidamente uma das formas mais comuns utilizadas pelas pessoas e grupos em qualquer lugar do mundo e com as mais diferentes culturas. Para os jovens, essa intensidade se torna ainda mais visível, o estilo musical serve como uma insígnia que a priori revelaria para outrem em qual grupo social este jovem estaria incluso e qual o estilo de vida que ele possui. As palavras cantadas displicentemente no meio da rua, a camisa preta de sua banda favorita ou mesmo o adesivo de um bloco de carnaval colado na traseira do carro seriam instrumentos cruciais para a identificação grupal.

Com a popularidade das mídias sociais, houve proliferação de lugares onde demonstrar seu estilo musical favorito e, com isso, ser bem ou mal visto por outros. O que você ouve teria se transformado ainda mais em um estandarte do que você é. As pessoas se afiliariam aos clãs de identidade musical parecida, expondo quem são e como devem ser percebidos. É compreensível então que para algumas pessoas o estilo musical seja um cartaz melhor de si do que as roupas que veste, os filmes que vê ou os hobbies que possui, algumas vezes até influenciando essas escolhas.

Mas que informação os outros realmente percebem?

Um estudo realizado por pesquisadores britânicos procurou investigar o quanto os indivíduos usam as músicas que ouvem como meio para comunicar suas preferências na vida como um todo e o conteúdo dos estereótipos que estas tinham de diversos estilos musicais. Tendo a compreensão de que revelar o estilo musical encaixa o indivíduo em um grupo, os pesquisadores propuseram estudar como tais pessoas e seus grupos são percebidos, e mais, como os próprios grupos se percebem.

A pesquisa tinha algumas perguntas principais, como o quanto as pessoas concordariam sobre aspectos psicológicos e sociais ligados a estereótipos de estilos musicais e como seriam os estereótipos entre os gêneros distintos. Além de questionar a possibilidade de generalização dos estereótipos musicais.  

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Os participantes do estudo julgavam protótipos de fãs de gêneros musicais específicos (como rock, rap, música clássica etc.) e associavam a esses protótipos certas características psicológicas, sociais, religiosas e étnicas. O que se encontrou foi que os jovens têm os padrões dos estereótipos dos fãs de certos grupos musicais altamente estruturados. Além disso, houve a confirmação do potencial de categorização por aspectos sociais acima dos psicológicos, ou seja, a associação dos estilos com classes sociais e etnias foram mais consistentes que com a personalidade, logo, aparentemente a categorização sofre mais influência do grupo social ao qual está relacionado um estilo musical e como produto desta influência se formaria uma compreensão da personalidade dos indivíduos.

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Alguns estudos já demonstraram que as pessoas preferem estilos musicais que reforcem e reflitam aspectos da sua identidade e personalidade: indivíduos procurando sensações intensas ouviriam punk, enquanto que os supostamente rebeldes ouviriam rock ou rap, enquanto indivíduos que se percebem como extremamente criativos e artísticos ouviriam músicas sofisticadas como jazz ou clássica. Sendo assim, se perceber como pertencente a um grupo musical influenciaria o desenvolvimento da identidade e das relações intergrupais, pois a música ouvida informaria também os valores, atitudes e crenças que esta pessoa compartilha, além de características psicológicas. Indo mais além, os estereótipos de grupos musicais poderiam mesmo influenciar outras relações sociais, como uma seleção de emprego, a proximidade na faculdade ou a escolha de parceiros, pois ao utilizar de crenças acerca da personalidade de quem escuta determinados tipos de música, as pessoas estariam pouco inclinadas a se relacionar com alguém com características muito diferentes.

E de que forma isso aconteceria? Primeiramente, todos teriam crenças sobre os estilos musicais e as pessoas que os ouvem, além disso, ouvintes de certos gêneros musicais já teriam em si estereótipos de conduta e personalidade definidos. E assim, os estereótipos encontrados para cada gênero musical possuem um núcleo de realidade quando relacionados com os ouvintes destes gêneros, ou seja, os estereótipos formados não estariam de todo errados, pois os próprios indivíduos terminariam por reforçá-los.

Quer testar?

Veja o vídeo abaixo e tente adivinhar o tipo de música que a pessoa está ouvindo e depois tente imaginar um pouco mais sobre a pessoa a partir da resposta dada e você verá que também tem uma ideia bem formada acerca dos ouvintes de diferentes estilos musicais.

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Rentfrow, P., McDonald, J., & Oldmeadow, J. (2009). You Are What You Listen To: Young People’s Stereotypes about Music Fans Group Processes & Intergroup Relations, 12 (3), 329-344 DOI:10.1177/1368430209102845

Adaptado de: http://cog-psi.blogspot.com.br/2011/06/voce-e-o-que-voce-escuta-ou.html

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3 respostas em “Você é o que você escuta?!

  1. Pingback: A categorização nossa de cada dia. | Prisma Científico

  2. “indivíduos que se percebem como extremamente criativos e artísticos ouviriam músicas sofisticadas como jazz ou clássica.” e o que dizer então sobre a Karina, que curte axé!?

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