Como explicar os chamados “Magros(as) de ruindade”?

Por que tem gente que come muito e não engorda?

Você provavelmente já sentou com uma pessoa dessas à mesa. Essas pessoas chamam a atenção de todos pelo tamanho do prato que, geralmente, não é condizente com o físico esperado.

prato gigante

O termo “magro (a) de ruindade” é frequentemente dado aquele que permanece magro mesmo sendo adepto a uma dieta rica em calorias. É importante ter em mente que isso não ocorre simplesmente por puro acaso. Dentro de uma população, existem pessoas naturalmente com maior ou menor propensão a ganhar peso devido às diferenças de metabolismo, que caracterizam cada um. Além disso, essas diferenças podem ocorrer devido a fatores genéticos, biológicos e ambientais.

Se de um lado existem aqueles que comem muito e não engordam de jeito nenhum, do outro estão aqueles com excesso de peso. O problema da obesidade tem alcançado proporções epidêmicas no mundo todo. No Brasil, existem cerca de 65 milhões de pessoas com excesso de peso, enquanto 10 milhões, já são consideradas como obesas. Esses números não param de crescer entre todas as idades e classes sociais. Aos cientistas cabe o papel de entender como os mecanismos responsáveis pelo desenvolvimento da obesidade.

Para exemplificar isso, um estudo recente mostrou que determinadas bactérias que naturalmente vivem em nosso aparelho digestório podem contribuir para redução ou ganho de peso. Neste estudo, foram retiradas bactérias do aparelho digestório de gêmeos em que um deles era obeso e outro era magro. Foi observado que os camundongos que receberam a bactéria do gêmeo obeso ganharam peso e acumularam mais gordura do que aqueles que receberam a bactéria do gêmeo magro. Os cientistas utilizaram apenas camundongos que foram criados em ambientes estéreis, garantindo a ausência de qualquer bactéria intestinal antes do estudo. Além disso, essas bactérias fazem parte de um grupo de milhares de tipos de micróbios que fazem parte da nossa flora intestinal.

Em outro estudo, foram encontrados indícios do porque algumas pessoas, adeptas a uma dieta rica em calorias, não engordam de jeito nenhum. Na primeira etapa, camundongos receberam uma dieta hipercalórica durante 20 semanas, ao final do período foi observado que apenas 60% dos animais engordaram. Na segunda etapa, o cérebro desses animais foi retirado para investigar o que poderia estar protegendo-os da obesidade.

Foi observado que os camundongos que mantiveram o peso, exibiam níveis normais de receptores para leptina no núcleo arqueado, região dentro do hipotálamo responsável pela estimulação e inibição do apetite, e níveis muito baixos de um peptídeo denominado SOCS-3. A leptina é uma proteína, secretada por adipócitos, que age no sistema nervoso central promovendo menor ingestão alimentar e incrementando o metabolismo energético, além de afetar eixos hipotalâmico-hipofisários e regular os mecanismos neuroendócrinos. Camundongos geneticamente obesos (ob/ob) não têm o gene para a expressão da leptina e, por isso, desenvolvem hiperfagia e acúmulo progressivo de gordura corporal. Nos animais que ganharam peso com a dieta, a situação foi inversa: poucos receptores para leptina e altas concentrações de SOCS-3. Ou seja, esse peptídeo poderia aumentar a resistência à leptina, sendo um elemento-chave para o desenvolvimento da obesidade. Nesse caso, a proposta desse mecanismo poderia auxiliar na compreensão do porque o cérebro “não percebe” o excesso de gordura e continua gerando sinais de fome no indivíduo.

Por fim, é válido lembrar que magreza não é sinônimo de saúde. Aqueles que sonham em ganhar peso correm o risco de comer mal, já que partem do princípio que podem ingerir tudo sem se preocupar com a quantidade ou qualidade do que está se alimentando. Por isso, os cuidados com a alimentação são fundamentais para evitar problemas de colesterol e diabetes.

Deixe seu comentário!!

 

Referências Bibliográficas:

Enriori PJ, Evans AE, Sinnayah P, Jobst EE, Tonelli-Lemos L, Billes SK, Glavas MM, Grayson BE, Perello M, Nillni EA, Grove KL, Cowley MA. Diet-induced obesity causes severe but reversible leptin resistance in arcuate melanocortin neurons. Cell Metab. 2007 Mar;5(3):181-94.

Walker AW, Parkhill J. Microbiology. Fighting obesity with bacteria. Science. 2013 Sep 6;341(6150):1069-70.

Anúncios

4 respostas em “Como explicar os chamados “Magros(as) de ruindade”?

  1. Pingback: Depois da festa começa a dieta (que não funciona) | Prisma Científico

  2. Pingback: As sete maiores descobertas científicas de 2013 | Prisma Científico

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s