Procrastinação! Quem nunca?

Sim, eu sofro! Muitas vezes me pego fazendo diferentes atividades que não estão ligadas diretamente com os objetivos a cumprir do meu dia. Talvez escrever esse texto foi uma forma excelente de utilizar a procrastinação para um bem maior. Meu colega aqui do Prisma abordou como a procrastinação pode interferir no processo da escrita (O “Macaco Azul” e a (não) escrita nossa de cada dia, que diga-se de passagem, não é o Gorila da Bola Azul, rs). No entanto, não é só na escrita que a procrastinação pode interferir. E tenho certeza que todo mundo sabe sobre o que estou falando…

A palavra vem do latim procrastinatus: pro– (à frente) e crastinus (de amanhã). Procrastinar é, segundo o Wikipedia, o diferimento ou adiamento de uma ação. Simplesmente o hábito de adiar deveres. Para algumas pessoas isso pode se tornar um problema resultando em estresse, sensação de culpa, perda de produtividade etc. Embora a procrastinação seja considerada normal, torna-se impeditiva quando atrapalha o funcionamento da vida de um indivíduo.

Deixe para amanhã o que pode ser feito hoje! Ops… Errei, “Nunca deixe para amanhã o que pode ser feito hoje”, foi algo que meu pai e minha mãe me ensinaram.

Fada da ProcrastinaçãoÉ difícil, eu sei! Parece que, a todo momento, estamos esperando pela fada da motivação, como citado por Hugh Kearns e Maria Gardiner em uma coluna da revista Nature, em 2011. Nos entregamos a atividades irrelevantes que parecem ser importantes como, por exemplo, baixar artigos compulsivamente, começar um experimento sem analisar o anterior, buscar novos livros sem ter lido os que já tem em casa, apertar o F5 no email ou na página do Facebook, escolher a fonte perfeita para tua apresentação de slides etc. Nesta entrega esperamos que a motivação apareça como se fosse uma iluminação que nos dirigiria a terminar a atividade primordial.

Tenho algo a dizer: infelizmente, motivação não aparece do nada! Não é uma fada, um anjo ou um fenômeno sobrenatural. Depende de foco e determinação. Segundo os pesquisadores australianos Hugh Kearns e Maria Gardiner, precisamos de um modelo diferente de motivação para superar a procrastinação. Não é a motivação que leva a ação e sim a ação que leva a motivação. Como? Não é difícil de entender. Para alguns psicólogos você deve se forçar a começar uma atividade antes de se sentir motivado, assim você pode perceber que a atividade não é tão ruim quanto parecia e desenvolver motivação, que se reorganizará em mais ação. Isso seria a libertação da procrastinação (até rimou!).

A procrastinação está associada a outros comportamentos. Alguns estudos tentam relacionar a procrastinação e o perfeccionismo, por exemplo. Dizem que procrastinadores e perfeccionistas tem características muito parecidas: padrões de qualidade muito altos, medo de cometer erros e atribuem uma grande importância ao sucesso pleno. O artigo do Dr. Bahtiyar Eraslan Çapan fala sobre isso. Ele também examinou essa relação com o relato de satisfação na vida. No estudo, foi mostrado que traços de perfeccionismo auto-orientado em estudantes universitários prediz atitudes de procrastinação acadêmica e de satisfação na vida.

Será que sou uma procrastinadora feliz? Não necessariamente! Isto porque, como mencionei anteriormente, o procrastinador sofre com o ato. As funções executivas de iniciar ações, auto-monitoramento, memória de trabalho, organização de materiais estão prejudicadas no procrastinador e, no geral, aumentam com a idade. Outro problema: procrastinamos com nossa saúde também. Por exemplo, 35% de pessoas que foram diagnosticadas com alto colesterol adiaram em 5 meses a procura de um médico, segundo um estudo da Dra. Cynthia Morris.

Deadline

“A última das inspirações é o prazo final”, Nolan Bushnell

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Deadline - fotoAcredito que os prazos determinam, em muitos casos, o fim da procrastinação. Os brasileiros, por exemplo, tem a má fama de deixar tudo para a última hora. Em inglês o termo para prazo final é “DEADLINE”. A foto ao lado decifra de forma inusitada a palavra em inglês: Não procrastine / Espere atrasos / Antecipe tempos limites / Entregue seu material no prazo / Atrasos são inaceitáveis / Indesculpáveis / Sem … Desculpas.

O trabalho feito de última hora está sujeito a conter muitos erros. Isto foi observado por um estudo dos pesquisadores Dan Ariely e Klaus Wertenbroch. Em 2002, eles avaliaram como a procrastinação e o desempenho é interferida pelos prazos. Algumas pessoas foram designadas a corrigir erros de digitação e gramaticais de 3 textos em inglês. Os pesquisadores dividiram os participantes em 3 grupos: pessoas que iriam ter até o último dia (21º dia) para entregar as tarefas, aqueles que determinariam os próprios prazos, e o grupo de pessoas para o qual seria imposto os prazos de entrega dos textos. De longe, aqueles indivíduos que deixaram a correção para a última hora obtiveram os menores níveis de desempenho. O interessante é que o melhor desempenho foi alcançado pelas pessoas para as quais foram impostos prazos definidos. Além disso, os que se auto determinaram os prazos apresentaram índices de atraso da entrega dos textos maiores que as pessoas que receberam os prazos pré-determinados. Esses dados sugerem que determinar prazos para as tarefas é melhor do que deixá-las para a última hora. No entanto, é mais eficaz que outra pessoa determine os prazos para as suas tarefas.

Para mim, isto é um dos papéis do chefe na empresa, e do orientador ou supervisor, no mundo acadêmico. Caso não tenha um chefe ou orientador, tente impor os próprios prazos. Além disso, já se sabe que técnicas de auto-controle e auto-punição podem ajudar no desenvolvimento de um trabalho e no enfrentamento da procrastinação. Vale lembrar que muitas pessoas indicam a gestão de tempo para derrubar a procrastinação: definir metas, começar as atividades de maneira leve e devagar, dividir os objetivos maiores em menores, impor recompensas por tarefas cumpridas etc etc.

Na luta contra a procrastinação nossa de cada dia! Ou não… 😉

Como forma de procrastinar mais um pouquinho, deixe seu comentário.

Agora ou Depois

Referências e sugestões de leituras!

Ariely D, Wertenbroch K. 2002. Procrastination, Deadlines and Perfomance: Self-control by precommitment. Psychological Science – 13(3), p.2179-224.

Çapan BE. 2010. Relationship among perfectionism, academic procrastination and life satisfaction of university students. Procedia Social and Behavioral Sciences – 5, p. 1665–1671.

Gura T. 2008/2009. I`ll do it tomorrow. Scientific American Mind – p. 26-33.

Kearns H; Gardiner M. 2011. Waiting for the motivation fairy. Nature – 472, p.127.

Lay CH. 1986. At Last, My Research Article on Procrastination. Journal of Research in Personality – 20, p. 474-495.

Steel P. 2007. The Neture of Procrastination: A Meta-Analytic and Theoretical Review of Wuintessential Self-Regulatory Failure. Psychological Bulletin – 133(1), p. 65-94.

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E para os procrastinadores profissionais visitem:

http://www.nature.com/naturejobs/science/articles/10.1038/nj7330-435a

http://structuredprocrastination.com/

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10 respostas em “Procrastinação! Quem nunca?

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