A Ciência por trás de Breaking Bad

Sem título

Breaking Bad (2008 – 2013) foi uma série que conquistou o público, a crítica e até o grande ator, Anthony Hopkins. A série, que recebeu inúmeras premiações, foi considerada por muitos, uma das melhores de todos os tempos.

A história de Breaking Bad se passa em Albuquerque, no Novo México, e gira em torno de Walter White, um pacato professor de química que recebe o diagnóstico de câncer de pulmão aos 50 anos de idade. Com um filho adolescente que sofre de paralisia cerebral e uma esposa grávida, Walt decide se juntar com seu ex-aluno Jesse Pinkman, para produzir metanfetamina com o objetivo de pagar por seu tratamento quimioterápico e assegurar o futuro financeiro de sua família.

Durante a série, observamos Walt utilizar seus conhecimentos científicos a fim de solucionar problemas, vamos ver aqui alguns desses momentos.

>>>> O texto abaixo apresenta spoilers para quem não viu o final da série >>>>

“The chemistry must be respected” - Walter White.

“The chemistry must be respected” – Walter White.

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A metanfetamina é considerada uma potente droga de abuso pertencente à classe das anfetaminas, cujos efeitos englobam a euforia, o aumento do estado de alerta e da auto-estima, o aumento da percepção sensorial e a intensidade das emoções. Na série, o cristal de metanfetamina apresenta um elevado grau de pureza e a característica peculiar de ser azul. Na narrativa, a cor azul tem a função de diferenciar as drogas produzidas por Walt, das outras disponíveis no mercado. No entanto, a cor de qualquer cristal não está associada ao grau de pureza, mas ao resultado da forma como os elétrons do composto absorvem a luz.

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A fosfina é o nome comum para o hidreto de fósforo (PH3), que na temperatura ambiente e pressão atmosférica se apresenta sob a forma de um gás incolor, mais pesado que o ar, inflamável e explosivo em contato com o ar, devido a sua afinidade pela molécula de oxigênio. A fosfina é comercializada sob a forma de pastilhas e pastas com o objetivo de combater pragas em produtos armazenados, como as moscas de frutas, os besouros de cereais, os carunchos de feijão e as pestes do tabaco.

phosphine_gasEm um dos episódios, quando Walt é obrigado a ensinar sua fórmula a dois gangsters no meio do deserto, dentro de seu laboratório móvel, em segundos, ele joga um pó vermelho na água quente, sai correndo e tranca os caras dentro do veículo. Mais tarde, Walt explica a Jesse que a reação de fósforo vermelho com água quente, produziu o gás fosfina. Na verdade, o fósforo vermelho até poderia reagir com o hidrogênio para produzir a fosfina, mas não com água quente. Walt poderia ter usado fósforo branco para reagir com hidróxido de sódio (reagente comum em qualquer laboratório), e com isso, produzir a fosfina, mas não foi isso que observamos no episódio.

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Para dar fim a diversas provas e a corpos de bandidos, Walt utiliza o ácido fluorídrico (HF) em diversas ocasiões ao longo da série. O HF tem a propriedade de ser um composto altamente corrosivo; sendo, por esse motivo, utilizado em solução aquosa para corroer vidro, por exemplo. Por isso, o ácido fluorídrico é guardado em frascos plásticos.

barris_corposApesar de qualquer contato desse ácido com a pele humana poder fazer um belo estrago, já foi mostrado em um episódio especial dos MythBusters sobre a série, que a quantidade de ácido utilizada por Walt não seria suficiente para dissolver um corpo por inteiro e, muito menos, repetir a cena da banheira caindo do andar de cima. Uma outra possível forma de dissolver corpos, seria por meio de uma solução de hidróxido de sódio (soda cáustica) com água. Além de ser mais disponível que o ácido fluorídrico, a soda cáustica é comumente empregada para desentupir encanamentos e liquefazer carcaças de animais vítimas de atropelamento.

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No episódio 2×09, depois de passar um longo tempo cozinhando metanfetamina dentro de seu laboratório móvel, vemos Walt e Jesse ficar sem bateria. Diante da impossibilidade de voltar para casa, Walt assume mais uma vez seu lado Macgyver e fabrica uma bateria improvisada que faz o veículo funcionar novamente.

batterryPara construir uma célula eletroquímica básica, Walt utiliza diferentes partes de metais e fios de cobre em uma solução ácida, que devido à diferença de reatividade entre os metais produz uma voltagem. Ao ligar essas células em série, ele obtém uma bateria improvisada. Apesar de toda explicação eletroquímica dada por Walt estar coerente, é muito improvável que o dispositivo fabricado forneceria energia suficiente para fazer o motor do veículo voltar a funcionar.

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Durante seu primeiro negócio com Tuco Salamanca, após Jesse ter sido brutalmente espancado e ter sua mercadoria roubada, Walt enfrenta Tuco em seu escritório, ao oferecer mais cristais de metanfetamina em troca de um pagamento imediato. No episódio, observamos Walt mostrar para Tuco um cristal, que aparentava ser metanfetamina, mas na verdade era o fulminato de mercúrio.

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O fulminato de mercúrio é um composto instável e explosivo bastante sensível ao atrito. Foi também mostrado no episódio especial dos MythBusters, que seria mais preciso com a realidade se a textura do composto fosse algo que lembrasse um talco, pois a aparência de cristais grandes seria uma forma muito instável.

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Em outro episódio, Walt e Jesse derretem o cadeado de um portão para ganhar acesso a um armazém químico por meio de uma reação termite. Nessa reação, o metal alumínio é oxidado pelo óxido de outro metal (geralmente óxido de ferro) e sua temperatura pode ultrapassar os 3500°C, ou seja, essa reação realmente poderia derreter o cadeado.

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4x13_Lily_of_the_ValleyNo final da quarta temporada, quando Walt esteve encurralado, com a sua vida e de sua família em risco, principalmente por Jesse não ter matado Gus, Walt consegue envenenar Brock com o lírio do vale a fim de que Jesse volte para seu lado e colabore com seu plano contra Gus.

O lírio do vale é o nome popular da Convallaria majalis L., uma planta pertencente a família das Convalariáceas, originária da Europa e Ásia. Seu fruto avermelhado é extremamente tóxico, por isso o plantio deve ser cercado de cuidados, principalmente em locais frequentados por crianças. A ingestão dos frutos pode ocasionar náusea, dor de cabeça, arritmia cardíaca e parada respiratória. Os constituintes dessa planta são utilizados pela indústria farmacêutica na produção de medicamentos para doenças cardíacas.

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Inicialmente, a ricina foi produzida por Walt para matar Tuco, que não caiu na armadilha graças ao seu tio Hector Salamanca. Posteriormente, a ricina voltou com o propósito de matar Gus, no entanto, Jesse não foi capaz de envenená-lo. No último episódio da série, a ricina apareceu novamente e teve seu desfecho com Walt envenenando o chá de Lydia.

breaking-bad-ricina-370x184A ricina é uma proteína presente nas sementes da mamona (Ricinus communis L.), considerada uma das mais potentes toxinas de origem vegetal conhecida. O mecanismo de ação da ricina consiste basicamente em se ligar aos ribossomos inativando-os. Os ribossomos são organelas responsáveis pela síntese de proteínas, e sua inativação leva à morte celular. Os sintomas de envenenamento, geralmente, ocorrem de 6 a 8 horas após a exposição, e incluem febre, dor de cabeça, dor muscular, tosse seca, vômitos e diarréia.

Existem algumas evidências da utilização da ricina como arma química. Esse ano (2013), uma carta contendo ricina foi encontrada no Senado dos Estados Unidos. Além disso, há relatos de que a substância também foi usada na Guerra Irã-Iraque, durante os anos 80.

Lembra de outros momentos? deixe seu comentário!!!

Relacionados:

http://www.bbc.co.uk/news/magazine-23710654

Florão, A.; Fonseca, R.V.; Lopes, M.; Gabriel, M. M. Phosphine: Risks v. 5, n. 2, p. 101-108. 2004.

 

6 respostas em “A Ciência por trás de Breaking Bad

  1. sobre o fulminato de mercúrio depois de 2007 foi formulada cristalizada igual a breaking bad só que ele não poderia carregar um saco cheio delas

  2. Pingback: A Ciência por trás de Breaking Bad | Biologia na Web

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