Depois da festa começa a dieta (que não funciona)

Planning-your-weight-loss-diet-2-600x400E vai passando mais uma semana de festas no Brasil pois aí se vai o Carnaval minha gente! Depois de alguns exageros nas comidas e bebidas, subimos na balança para o saldo em kilogramas. A conta é simples: caso a soma das calorias ingeridas de coxinhas, sanduíches, camarões e chopp seja maior do que a soma das calorias gastas em dança, pulos, beijos e abraços, o saldo será de um indesejado aumento na sua quantidade de massa corporal. Caso a soma da ingestão seja menor que a soma gasta, você perdeu massa e aquele número da balança diminuirá. É só isso! E saibam que essa conta vale para qualquer época do ano!

Se fosse simples assim, todos já estariam satisfeitos com a própria massa. Para esclarecer, estou usando o termo massa porque o peso também depende da força da gravidade e, por enquanto, não vamos conseguir interferir com ela para mudar o nosso peso, certo? Só nos resta brigar com a massa mesmo.

A relação do ser humano com o peso corporal é intrinsicamente ligada à cultura. O famoso jargão de “padrão de beleza” é mantido e propagado pela mídia. Se na Idade Média o padrão de pessoas bonitas eram aquelas com um corpo avolumado e cheio de curvas, hoje, sem dúvidas, a indústria da moda e cinematográfica impôs um padrão de corpos miúdos ou tonicamente definidos. Valem os exemplos recentes dos desfiles de corpos no tapete vermelho do Oscar e na passarela do samba do Carnaval.

Tapete Vermelho Oscar 2014 Rainha da bateria do Salgueiro, Viviane Araújo, Carnaval 2014

São vários os fatores que determinam a sua massa corporal. O padrão de formato e acúmulo de gorduras no nosso corpo é determinado primordialmente pela genética. Contra ela, meu caro amigo, ainda não temos ferramentas científicas para lutar. Minha amiga e co-autora do meu querido blog Prisma Científico, Vanessa Favaro, deu um excelente exemplo disso ressaltando a importância das proteínas ligadas à maquinaria bioquímica da leptina (leia aqui o texto Como explicar os chamados “magros(as) de ruindade”?).

A genética vai determinar o padrão de funcionamento do seu corpo, inclusive do seu cérebro. É ele que sinaliza a você quando o seu corpo precisa consumir alimentos ou água, por exemplo. E esse comando cerebral ocorre, na maioria dos casos, sem que nós tomemos consciência. Isso é saudável na medida que o nosso cérebro deve automatizar algumas funções para liberar mais energia, tempo e espaço para as funções cognitivas superiores: pensar, lembrar, memorizar, fazer um comentário lá no final do post😉 etc.

Neste ponto do texto talvez você tenha parado para pensar que, se sua genética e o seu cérebro tomam conta do seu peso sem que você tenha controle sobre isso, assim como não tem controle sobre a gravidade, então não temos salvação: dietas não funcionam. Você já pensou nisso? Você já pensou em desistir de dietas? Alguns cientistas realmente acreditam que não devemos nos engajar em dietas. A neurocientista Sandra Aamodt conta uma história pessoal e profissional de como o nosso peso é determinado por fatores que quase não podemos controlar e, como isso, ela tenta explicar porque as dietas não funcionam.  

Clique na figura ou link abaixo e selecione a legenda (subtitle) para “português brasileiro”, caso ache necessário:

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http://www.ted.com/talks/sandra_aamodt_why_dieting_doesn_t_usually_work

Se você prestou atenção até o final percebeu que, para a Dra. Sandra Aamodt, dietas podem até piorar a sua saúde. No entanto, muitos cientistas clamam que o vilão para a saúde e para o ganho de peso é a ingestão de açúcar ou de gordura. Por esse motivo, muitas dietas restrigem a ingestão de grupos de alimentos que contenham esses nutrientes. Será que essas dietas são saudáveis?

article-2546975-1ADF5EB200000578-164_634x423Há pouco tempo, algumas reportagens relataram um caso no qual dois médicos britânicos e irmãos gêmeos, Alexander e Chris van Tulleken, fizeram um experimento com dietas restritivas (aquelas dietas que a pessoa corta todo o açúcar ou toda a gordura). Apesar de não ter sido um artigo científico completo, eu achei bem interessante o estudo. Considerando que os irmãos gêmeos univitelínicos  possuem uma similaridade genética muito grande e, no caso desses médicos, uma similaridade de hábitos, podemos considerá-los cobaias interessantes. Não existem muitos fatores externos que podem influenciar nas diferenças observadas no estudo, ou seja, é um estudo pequeno mas muito bem controlado.

Alexander ficou com a dieta sem carboidratos (sem açúcares) e rica em gordura. Seu irmão, Chris, fez uma dieta de baixíssima quantidade de gordura (menos de 2%) e rica em açúcar. Aqui deixo uma crítica ao estudo: independente dos resultados devemos interpretá-los como resultado de uma combinação de dois fatores: diminuição da ingestão de um grupo de alimentos concomitante com o aumento da ingestão de outro grupo. Vale lembrar que, muitas pessoas seguem esses tipos de dietas. O que foi pior? Segundo os irmãos: “Deixe me dizer diretamente, ambas as dietas são terríveis.”. E se você está se perguntando se eles perderam peso: sim, ele perderam, mas nada mais do que 3kg após uma mês de dieta. A custo de quê? Um irmão, o da dieta sem açúcar e muita gordura, a custo de alto comprometimento cognitivo e o outro, o da dieta sem gordura e muito açúcar, a custo de perda de massa muscular e risco de problemas relacionados à insulina. Nos dois casos, as dietas extremas não foram saudáveis, retomando a ideia da neurocientista Sandra Aamodt. Esse experimento fez parte de um programa da televisão e você pode encontrar mais detalhes na matéria em inglês do site dailymail da Inglaterra, clicando AQUI.

obesity-tag-imageO último detalhe que gostaria de levantar para discussão é que, se é o próprio organismo que determina a quantidade de massa corporal que mantemos, será que estamos tratando nossos obesos de forma certa? Será que os obesos não tem uma alteração patológica da programação interna do organismo para a manutenção da massa corporal elevada? Se for isso, ao invés de lhes oferecer dietas ou cirurgias de redução de estômago, deveríamos buscar maneiras de interferir com o programa fisiológico que mantêm toda aquela gordura armazenada. Para justificar essa linha de raciocínio peço que vejam mais um emocionante vídeo sobre um médico, um preconceito, a obesidade, um arrependimento e a mudança de conceito científico.

Clique na figura ou link abaixo e selecione a legenda (subtitle) para “português brasileiro”, caso ache necessário:

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http://www.ted.com/talks/peter_attia_what_if_we_re_wrong_about_diabetes.html

Na minha opinião comer saudável e balanceado é a única saída para uma melhor qualidade de vida. No entanto, também acredito que o tema sobre dietas é amplo e muito discutível. Obviamente, neste texto eu não abordei todas as frentes científicas que estudam a nutrição. Caso você conheça outros estudos com opiniões iguais ou diferentes, escreva um comentário e vamos abrir a discussão para entender melhor esse tópico que tanto aflige a humanidade.

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4 respostas em “Depois da festa começa a dieta (que não funciona)

  1. Parabéns pelo post! Interessante a historia dos gêmeos. Eu faço dieta de restrição de vitaminas e outros nutrientes essenciais… já ganhei 12 kilos🙂
    Estou começando um blog sobre ciência brasileira, dêem uma olhada: cienciadebaixoimpacto.wordpress.com

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