A volta do Macaco Azul: Lutando contra a procrastinação!

0002 29_04_2013 Cada galho com seu macaco Tudo sobre nada

Já falamos de procrastinação em dois textos aqui no Prisma (clique aqui e aqui para ler), e neste último meu, havia prometido que voltaria a falar do assunto. Cumprirei a minha palavra hoje, um ano (e alguma coisa) depois…

No episódio anterior dessa nossa história, simbolizamos a procrastinação com a imagem do macaco azul de Aluízio Azevedo. Pois é, o macaco azul pode ser enganado. E uma das características dele é deixar-nos emocionalmente combalidos.

A maioria das pessoas quando em fase de escrita acabam por ficar irritadiços, desesperados e sem esperança. Pergunte para qualquer um que esteja nesta fase, mas pergunte de longe.

monkeywarrior

“Ótimo saber que você está lendo este texto e não escrevendo sua dissertação Mua Ha Ha.”

Um dos problemas é que nós temos uma tendência a deixar tudo para a última hora. E isso é comprovado: em um estudo, cientistas testaram com grupos de estudantes qual seria o melhor esquema de entrega de trabalhos. Estes estudantes poderiam entregar os seus trabalhos uma vez por semana até o final do semestre, todos na última semana de aula ou parte no início e parte no fim. O que aconteceu foi que o grupo que precisou entregar uma vez por semana se saiu melhor tanto na qualidade, quanto no cumprimento da produção estipulada, mesmo quando comparado a um grupo que poderia escolher quando entregaria os seus trabalhos (grupo que, no final das contas, acabava deixando tudo para o fim). Ou seja, evidentemente, muito do trabalho foi deixado para a última hora, compelindo os grupos retardatários a fazer com pressa e sem esmero a sua produção, causando uma queda da qualidade e gerando uma série de estímulos ansiogênicos.

Nós temos uma outra tendência, que é a de não pensar em longo prazo. Um estímulo agradável tende a reforçar o nosso comportamento e fazer com que ele aconteça mais vezes, todavia quanto mais demorado esse reforço acontece após o nosso comportamento, menos estabelecemos uma relação entre eles. É um raciocínio lógico falacioso natural do cérebro: a tendência a associar estímulos em curto espaço de tempo. Essa tendência certa vez nos possibilitou entender o nosso ambiente de forma mais indutiva e simples, permitindo que estabelecêssemos relações entre estímulos e seus reforçadores, mas hoje nos faz cair em algumas armadilhas.

É difícil lutar contra a procrastinação. Pense bem, o que é melhor: Assistir um episódio daquele seriado que você gosta ou realizar diversas análises estatísticas com os seus dados? Sair com os amigos para bater o baba (jogar futebol, em baianês) ou escrever alguns parágrafos da dissertação? Beber com os amigos ou assistir uma palestra com os amigos?

Ninguém precisa me dar um Nobel por essa minha próxima afirmação, mas a verdade é que para vencer a procrastinação tudo que basta fazer é não procrastinar. Calma, calma, segurem os aplausos (ou a sua ira com a minha assertiva óbvia)!

Sim, não procrastinar, colocar a mão na massa e deixar fluir. Já falamos isso aqui, mas é bom reiterar a importância de começar a trabalhar, agir e não ficar esperando a motivação e/ou inspiração. Essa proposta é uma “falta de planejamento” somada a uma ação desmedida – proativamente, claro – que terminam sendo fundamentais para o tiro inicial da corrida deste seu trabalho, que terminará por resultar no cumprimento da maratona de forma adequada.

macacos_thumb

“Vamos começar?”

Esse texto vai como uma mensagem de esperança para quem está escrevendo a sua dissertação, tese e/ou TCC. Boa sorte!

Referências:

Ariely, D., & Wertenbroch, K. (2002). Procrastination, Deadlines, and Performance: Self-control by Precommitment. Psychological Science, Vol. 13(3), 219-224.

Dan Ariely. (2010). “Predictably Irrational, Revised and Expanded Edition: The Hidden Forces That Shape Our Decisions”. Harper Perennial.

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