Sobre João Victor Pildervasser

"Non ridere, non lugere, neque detestari, sed intelligere"

Fosfoetanolamina: uma história mal contada

Talvez você tenha notado recentemente nos meios de comunicação e nas redes sociais certo barulho causado por uma “nova cura” do câncer: a fosfoetanolamina (FOSFO). Pra quem não foi atingido por esta onda vou fazer um breve resumo da história. No dia 17 de agosto, pacientes com câncer entraram na justiça para que a USP libere a distribuição de um suposto “remédio” para o combate da doença. O composto era produzido e distribuido dentro do Instituto de Química da USP-São Carlos (IQ-USP) e há relatos de melhoras dos sintomas e até cura. Em 2014, o IQ-USP passou uma portaria que regulava a produção e distribuição de qualquer substância usada com finalidade terapêutica produzida dentro de suas dependências. O documento esclarece que apenas aquelas substâncias que apresentarem toda a documentação emitida por órgãos públicos de saúde poderão seguir sendo produzidos e distribuídos pelo Instituto. A FOSFO, por não ter esses documentos, deixou de ser distribuída. O que se seguiu foi uma onda de brigas judiciais e protestos que agora ganham força pela cobertura da mídia.13042012drogas_remedios008-1115723 Continuar lendo

Revisão por pares: um mal necessário? (Parte 2)

Clique aqui para ler a parte 1.

“É isso mesmo? Revisão por pares é isso ai?”

Quando perguntadas a respeito de suas opiniões sobre a revisão por pares e o seu papel na Ciência, tanto pessoas inseridas no mundo acadêmico quanto o público em geral vêm este procedimento como algo benéfico. Muitos identificam a revisão por pares como um processo avaliativo da ciência sobre si mesma, capaz de separar o joio do trigo, garantindo a integridade geral deste sistema. Tal afirmação é verdade, em parte. Apesar de parecer bonito no papel, o peer review que é feito hoje em dia comete muitos erros e foge dos pressupostos teóricos que toma por base, dando motivo para a desconfiança. E quais erros e motivos são esses? Continuar lendo

Revisão por pares: um mal necessário? (Parte 1)

Um dos argumentos mais utilizados pelos defensores da Ciência e dos métodos que ela emprega para compreender a natureza é justamente a maneira pela qual ela realiza tal feito. O Método Científico – que não se limita somente à observação de um fenômeno e a formulação de uma hipótese que o explique, mas também pelo teste destas explicações – é o cerne de tal empreitada. Contudo, para aqueles que se encontram inseridos dentro do meio acadêmico e envolvidos com uma pesquisa científica, o trabalho não termina quando uma hipótese é rejeitada ou não. O “último” passo de uma pesquisa é a publicação de seus achados em uma revista científica. Tal passo envolve uma etapa que por muitos é encarada como o mecanismo de controle de qualidade da ciência e por outros como a âncora que atrasa o seu avanço: a revisão por pares (peer review).

creditos james yang

Creditos James Yang

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A rata Zana

Há um bom tempo atrás, durante minha iniciação científica, vivi um momento um tanto inusitado. Enquanto eu terminava de arrumar o material que acabara de usar em um experimento, um professor que fazia parte do mesmo laboratório que o meu começou a receber alguns alunos para discutir a nota da prova final deles. Eis que uma de suas alunas, ao caminhar para fora da sala após uma intensa negociação de 0,3 ponto deparou-se com uma caixa-moradia onde estavam alguns camundongos. Como prática rotineira laboratorial, cada caixa deve ter uma etiqueta onde informações importantes são escritas, como por exemplo, o nome do experimentador responsável por aqueles animais. Ao ler o nome “João Victor” na etiqueta, a garota olhou para mim e para o professor e disse com um sorriso no rosto: “Que bonitinho! Eles têm nomes!”. Inevitavelmente, após a aluna sair da sala, eu e o professor não conseguimos evitar o riso e a incredulidade: como alguém acha que nós damos nome aos camundongos? Continuar lendo

As sete maiores descobertas científicas de 2014

sem-tc3adtuloOlha quem chegou: o ano novo! Os doces foram jogados fora, a mensalidade da academia atrasada há meses foi paga, as gordurinhas acumuladas estão prontas para serem queimadas e as promessas feitas no Reveillon estão sendo cumpridas. Bom, pelo menos até Março né?

Nesse clima de falta de vontade de voltar ao trabalho e cuidando das queimaduras de sol, eu tive um momento Fátima Bernardes e me perguntei: da onde surgem as tradições? Pensando nisso resolvi dar prosseguimento e institucionalizar a primeira tradição do Prisma Científico: todo começo de ano faremos um retrospecto do que aconteceu de melhor na ciência no ano que se passou. Se você não conferiu as maiores descobertas científicas de 2013, clique aqui e veja os avanços daquele ano. Pois bem amigos, vamos as 7 maiores descobertas/avanços científicos de 2014! Continuar lendo

Pequenos cérebros, grandes ideias – Prisma Entrevista

prismaentrevista

Você já deve ter ouvido falar de algum laboratório ou cientista que utiliza chipanzés ou outros primatas para fazer experimentos científicos e entender melhor algum fenômeno biológico também observado no ser humano. Talvez já tenha visto alguma pesquisa na televisão que empregou algum roedor como modelo de alguma doença e baseou-se neste estudo para desenvolver algum fármaco. Mas você sabia que moscas, abelhas e até vermes podem ser utilizados para compreender melhor nosso organismo e muitas dos fenômenos e características marcantes da raça humana?

Em outubro deste ano (2014) participei da 3ª edição do curso Small Brains, Big Ideas (SBBI) oferecido em Santiago e Valparaíso no Chile, com o intuito de treinar jovens cientistas da América Latina em diversas abordagens experimentais fazendo uso de animais invertebrados. O curso foi majoritariamente organizado por professores de diversas faculdades chilenas com a participação de docentes de faculdades norte americanas e inglesas. Dê uma olhada no vídeo de divulgação da 3ª edição do SBBI!

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Levy Fidelix, Eduardo Jorge e o Ebola

Nos últimos meses presenciamos uma corrida eleitoral ímpar, marcada por acusações levianas nos debates à troca de elogios regionais no Facebook que ainda repercutem. Para um bom observador foi fácil identificar a polaridade que dividiu o Brasil: esquerda e direita; PT e PSDB; coxinha e petralha; bolacha e biscoito. Todos defendendo com unhas, dentes e reportagens da Veja suas opiniões. Porém agora quero lembrar a você, leitor, dois personagens que participaram deste pandemônio, mas que não tiveram uma expressão de votos significativa nas eleições: Levy Fidelix e Eduardo Jorge.

Imaginemos uma escala que vai do conservadorismo ao liberalismo. No lado conservador encontramos Levy: “fisiologista”, defensor dos valores da família brasileira, dos bons costumes e da religiosidade. Do lado liberal, encontramos Eduardo: ambientalista, defensor da legalização das drogas e fanfarrão do Twitter.levy-eduardo-jorge

Agora uma pergunta: se o tão temido Ebola chegasse ao Brasil, qual dos dois ex-candidatos à presidência teria mais chances de escapar da contaminação?

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