A rata Zana

Há um bom tempo atrás, durante minha iniciação científica, vivi um momento um tanto inusitado. Enquanto eu terminava de arrumar o material que acabara de usar em um experimento, um professor que fazia parte do mesmo laboratório que o meu começou a receber alguns alunos para discutir a nota da prova final deles. Eis que uma de suas alunas, ao caminhar para fora da sala após uma intensa negociação de 0,3 ponto deparou-se com uma caixa-moradia onde estavam alguns camundongos. Como prática rotineira laboratorial, cada caixa deve ter uma etiqueta onde informações importantes são escritas, como por exemplo, o nome do experimentador responsável por aqueles animais. Ao ler o nome “João Victor” na etiqueta, a garota olhou para mim e para o professor e disse com um sorriso no rosto: “Que bonitinho! Eles têm nomes!”. Inevitavelmente, após a aluna sair da sala, eu e o professor não conseguimos evitar o riso e a incredulidade: como alguém acha que nós damos nome aos camundongos? Continuar lendo

Por que os modelos computacionais não podem substituir os modelos animais?

A resposta mais apropriada é porque um depende do outro!

Em meio a tantas discussões sobre o uso de animais pela Ciência (vale ler os posts anteriores do Prisma:Ética na experimentação animal (parte 1)”, “Ética em Experimentação Animal (Parte 2) – os 3 Rs” e  “Snoopy e a experimentação animal”), um dos argumentos levantados é a alternativa de se utilizar outros métodos como, por exemplo, as simulações computacionais. Minha vontade em escrever esse post surgiu de uma preocupação com a desinformação que existe a respeito dos métodos alternativos. Sinto-me na obrigação de trazer os fatos àqueles que acreditam nessa alternativa salvadora para todas as questões da Ciência e, salvadora também, para os animais utilizados nos laboratórios de pesquisa. De forma alguma quero impôr minha opinião mas sim, abrir um canal de argumentação lógica e cientificamente embasada sobre a questão do uso de animais na Ciência. Continuar lendo

Snoopy e a experimentação animal

Imagine a seguinte situação: um bando de pessoas entra no seu escritório, quebra o seu computador, rouba o seu trabalho, destrói móveis e espalha coisas pelo chão. Tudo isso porque acharam que você estava fazendo seu trabalho errado. Bizarro, não?

Infelizmente não consegui escrever antes sobre o assunto. No entanto, ao longo dos últimos dias, reuní diversos links que podem nos ajudar a entender do tema, links estes que serão indicados ao longo do post. Leia o texto dos links antes de avançar neste texto do Prisma (alguns podem ser repetitivos, mas todos são de alto nível).

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Ética em Experimentação Animal (Parte 2) – os 3 Rs

No fim da década de 50, o livro “Princípios das Técnicas Experimental Humanas” (Principles of Humane Experimental Technique, Russel e Burch, 1959) lançou a ideia dos 3Rs: Reduction, Replacement e Refinement (Redução, Reposição e Refinamento); para guiar uma utilização  mais parcimoniosa de animais na experimentação. Redução apresenta a ideia de usar sempre o menor número de animais possível para o objeto de investigação. Continuar lendo