Fosfoetanolamina: uma história mal contada

Talvez você tenha notado recentemente nos meios de comunicação e nas redes sociais certo barulho causado por uma “nova cura” do câncer: a fosfoetanolamina (FOSFO). Pra quem não foi atingido por esta onda vou fazer um breve resumo da história. No dia 17 de agosto, pacientes com câncer entraram na justiça para que a USP libere a distribuição de um suposto “remédio” para o combate da doença. O composto era produzido e distribuido dentro do Instituto de Química da USP-São Carlos (IQ-USP) e há relatos de melhoras dos sintomas e até cura. Em 2014, o IQ-USP passou uma portaria que regulava a produção e distribuição de qualquer substância usada com finalidade terapêutica produzida dentro de suas dependências. O documento esclarece que apenas aquelas substâncias que apresentarem toda a documentação emitida por órgãos públicos de saúde poderão seguir sendo produzidos e distribuídos pelo Instituto. A FOSFO, por não ter esses documentos, deixou de ser distribuída. O que se seguiu foi uma onda de brigas judiciais e protestos que agora ganham força pela cobertura da mídia.13042012drogas_remedios008-1115723 Continuar lendo

A morte e os profissionais da saúde

Cena do filme

Cena do filme “O Sétimo Selo”, de Ingmar Bergman

Rituais fúnebres sempre estiveram presentes em diversas culturas e a medida que cada sociedade apresentava aspectos culturais que promoviam disparidade entre tais rituais, estes eram indicativos de um espectro geral das crenças do grupo. Tais crenças seriam representativas de toda a esfera de concepções dessa cultura quando expandida. À sua maneira, cada cultura escrevia a história da relação do ser humano com a morte e assim criava uma estratégia a mais de enfrentamento. Sendo assim, para falar sobre a morte é preciso antes pensar na vida. Continuar lendo

Cérebro v2.7 – Sobre consciência e inteligência artificial. (Parte 3)

Do tamagochi ao MacBook Pro, todas as máquinas são essencialmente compostas pelos mesmos componentes: hardware e software. O primeiro é tido como a parte física dos computadores e máquinas. Um hardware pode ser o monitor, o teclado e o processador de um computador. Já o software é tido como a parte não-física, aquela responsável por “pensar”. Softwares, portanto são os programas como Windows, Microsoft Word, AVG e Google Chrome.

Lembra de mim?

Se compararmos o ser humano a um computador, poderíamos dizer que membros, olhos, órgãos e assim por diante são nossos hardwares. Por sua vez, o que é o software do ser humano? Partindo do princípio de que o software é a parte que pensa ou que faz o hardware funcionar, poderíamos dizer que o software do ser humano são todas suas capacidades mentais conscientes e inconscientes. Dentre essas capacidades, a inteligência é uma das que mais recebe destaque, principalmente no campo da robótica e ciência da computação. Mas o que é inteligência? Continuar lendo

Sobre consciência e inteligência artificial. (Parte 2)

PigmaliaoGalateaJean-Léon Gerome

Na primeira parte desse post falamos sobre a consciência e a possibilidade da criação desta por meios artificiais, por mãos humanas. Embora com outra roupagem, há inúmeras criações artísticas que surgiram deste questionamento. Desde a mitologia grega, com a história de Galatéia, construída no mármore por Pigmaleão, que terminou por receber de Afrodite o toque da vida, até o golem Frankenstein da escritora Mary Shelley, cujo nome se tornou referência do receio que algumas pessoas têm de que toda criação de vida, inteligência e consciência artificial possa se voltar contra o seu criador em um afã violento pela liberdade cerceada.

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Sobre consciência e inteligência artificial. (Parte 1)

mindMesmo com o avanço dos estudos sobre a consciência, este ainda é um tópico peculiar para as ciências cognitivas. Esse lugar de destaque parece não advir só da complexidade inerente ao assunto, mas também da possibilidade de que, ao descobrir mais sobre ela, se encontre um ponto de destaque para o conhecimento mais aprofundado das nossas propriedades mentais.

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A categorização nossa de cada dia.

O mundo em que vivemos exige da nossa cognição o uso de sistemas de aprendizagem complementares. E em contextos mais complexos, há a sobrecarga destes sistemas devido à quantidade de informações que se precisa processar.

Imagine essa situação:
[Uma pessoa ao sair de sua casa em direção ao trabalho se depara com a porta da casa vizinha aberta, onde uma senhora negra e muito idosa faz a faxina. Imediatamente a pessoa pode supor que aquela é a nova empregada de seu vizinho, uma senhora que provavelmente mora muito longe e se sustenta com dificuldade em um trabalho árduo. No trajeto para o seu trabalho o semáforo se ilumina em vermelho e ao parar o carro a pessoa é abordada por um senhor com o rosto surrado, quase que instantaneamente há a aplicação de rótulos verbais e o senhor é identificado como um mendigo, pedinte, esfomeado e, consequentemente, se imagina a vida terrível que ele vive, mas também que é preciso tomar cuidado com o que ele pode fazer naquela situação. Fecha-se a janela do carro. Ao chegar em seu escritório se depara com uma jovem muito bonita, loira e de corpo escultural andando por ali e logo supõe se tratar da nova secretária do chefe. E durante o resto do seu dia esta pessoa caminha por diversos locais, como restaurantes, lojas, salas e vai encontrando e categorizando pessoas, criando expectativas sobre como essas podem e devem agir.]
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Esperto pra cachorro

Quem tem ou já teve um cachorro de estimação já se fez alguma dessas perguntas ao menos uma vez: “Será que o [inserir nome de seu cachorro] é um gênio?” ou “Como pode a [inserir nome de sua cachorra] ser tão tapada?”. Posso dizer por experiência própria que já vivi os dois lados da moeda.

No ideaPor exemplo, já tive uma cachorra que abria facilmente a porta de casa para poder sair como também já tive um cachorro que quando ficava muito animado costumava bater de cabeça nas paredes e portas porque não conseguia parar de correr a tempo. Será que esses meus dois cachorros são exemplos de um cão sagaz e um ignorante ou é apenas uma questão de treinamento? Não sei, mas sempre fui curioso pra saber se existe alguma maneira de qualificar seu cãozinho de acordo com sua “inteligência”. Descobri que não era o único com essa curiosidade. Continuar lendo