Fosfoetanolamina: uma história mal contada

Talvez você tenha notado recentemente nos meios de comunicação e nas redes sociais certo barulho causado por uma “nova cura” do câncer: a fosfoetanolamina (FOSFO). Pra quem não foi atingido por esta onda vou fazer um breve resumo da história. No dia 17 de agosto, pacientes com câncer entraram na justiça para que a USP libere a distribuição de um suposto “remédio” para o combate da doença. O composto era produzido e distribuido dentro do Instituto de Química da USP-São Carlos (IQ-USP) e há relatos de melhoras dos sintomas e até cura. Em 2014, o IQ-USP passou uma portaria que regulava a produção e distribuição de qualquer substância usada com finalidade terapêutica produzida dentro de suas dependências. O documento esclarece que apenas aquelas substâncias que apresentarem toda a documentação emitida por órgãos públicos de saúde poderão seguir sendo produzidos e distribuídos pelo Instituto. A FOSFO, por não ter esses documentos, deixou de ser distribuída. O que se seguiu foi uma onda de brigas judiciais e protestos que agora ganham força pela cobertura da mídia.13042012drogas_remedios008-1115723 Continuar lendo

A morte e os profissionais da saúde

Cena do filme

Cena do filme “O Sétimo Selo”, de Ingmar Bergman

Rituais fúnebres sempre estiveram presentes em diversas culturas e a medida que cada sociedade apresentava aspectos culturais que promoviam disparidade entre tais rituais, estes eram indicativos de um espectro geral das crenças do grupo. Tais crenças seriam representativas de toda a esfera de concepções dessa cultura quando expandida. À sua maneira, cada cultura escrevia a história da relação do ser humano com a morte e assim criava uma estratégia a mais de enfrentamento. Sendo assim, para falar sobre a morte é preciso antes pensar na vida. Continuar lendo

Você é o que você escuta?!

MainZ17472Do toque do tambor aborígene até os acordes mais pesados de guitarras do rock, um fato indiscutível é a força que a música tem para expressão dos indivíduos na sociedade. A expressão musical é reconhecidamente uma das formas mais comuns utilizadas pelas pessoas e grupos em qualquer lugar do mundo e com as mais diferentes culturas. Para os jovens, essa intensidade se torna ainda mais visível, o estilo musical serve como uma insígnia que a priori revelaria para outrem em qual grupo social este jovem estaria incluso e qual o estilo de vida que ele possui. As palavras cantadas displicentemente no meio da rua, a camisa preta de sua banda favorita ou mesmo o adesivo de um bloco de carnaval colado na traseira do carro seriam instrumentos cruciais para a identificação grupal.

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A inteligência coletiva e as manifestações pelo Brasil

O mês de junho de 2013 foi marcado pelas manifestações que ocorreram por todo o país e mobilizaram milhares de pessoas que foram para rua, inicialmente para protestar contra o aumento das tarifas de transporte público, e posteriormente, em uma nova onda de protestos por reivindicações abrangendo uma série de causas.

Ainda é cedo para saber se foi apenas um espasmo ou esse movimento foi forte o suficiente para se incorporar na vida do brasileiro. Mesmo assim, é indiscutível o fato de estarmos vivendo um momento ímpar na história deste país.

 

Na minha opinião, a característica que mais marcou esse período de manifestações foi a ausência de líderes e consequente descentralização dos protestos. As tentativas de lideranças foram atropeladas pelos manifestantes, fossem elas autoridades, partidos políticos ou intelectuais.

Muitos poderiam considerar a descentralização como algo que enfraqueceria o movimento, uma vez que a falta de um líder ou um grupo de pessoas dizendo o que todos deveriam fazer, poderia levar a desorganização e a falta de foco dos protestos. No entanto, ao longo deste post vou mostrar como essa descentralização pode ser uma característica positiva a fim de cumprir com seu objetivo de forma organizada e eficiente.

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A procura da felicidade vs A procura do propósito de Viktor Frankl

“O rei, em sua riqueza e saciedade dos prazeres da vida, percebia-se ainda em uma infelicidade que nenhuma comida, bebida, mulher ou maravilha do leste poderia dar fim. Pergunta a seu conselheiro “Não há, no reino, posição maior que a minha, ninguém pode mais, ou tem mais motivo que eu para estar bem. E por que eu não estou? Por que me sinto assim? E o conselheiro lhe diz “V. Majestade é um homem bom. Olhe pelo povo e encontrará um fim à sua infelicidade”.

Em 1942, o renomado psiquiatra e neurologista Viktor Frankl foi preso nos campos de concentração nazistas. Lá, ele atuou como psiquiatra por três anos antes do campo ser liberado. No seu livro “Man’s search for Meaning”, no qual descreve sua experiência nos campos, ele conta que, muitas vezes, a diferença entre as pessoas que sobreviveram e as que acabaram morrendo (não por execução, mas por outros motivos) era basicamente uma: um propósito, um significado na vida.

Viktor Frankl

Viktor Frankl

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É a procura da felicidade que frustra a felicidade em si!

“Um homem vai ao psiquiatra. Diz que está depressivo. Diz que a vida é dura e cruel. Diz que se sente sozinho em um mundo ameaçador. O doutor diz, ‘o tratamento é simples. O palhaço Pagliacci está na cidade. Vá vê-lo. Isso vai te alegrar’. O homem inflama em prantos e diz, ‘mas doutor… Eu sou Pagliacci’… Boa Piada. Todo mundo ri. Os tambores tocam. Cortinas”

-Rorschach, Watchmen

Quando se pergunta para as pessoas qual o objetivo mais fundamental da vida, a grande maioria dirá que é a Felicidade, como diz o jargão, “o importante é ser feliz”. Estudos muito bem estruturados (experimentais, observacionais, tranversais, longitudinais e por amostragem) mostram muito claramente os benefícios de um estado de felicidade. Pessoas felizes constroem amizades mais fortes e íntimas, são mais satisfeitas em suas vidas românticas, dormem melhor, são mais criativas, têm maior sucesso no trabalho, são mais generosas e altruístas… Parece bom, não? De fato, as pessoas organizam suas vidas em torno do objetivo de ser feliz. Continuar lendo