Pequenos cérebros, grandes ideias – Prisma Entrevista

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Você já deve ter ouvido falar de algum laboratório ou cientista que utiliza chipanzés ou outros primatas para fazer experimentos científicos e entender melhor algum fenômeno biológico também observado no ser humano. Talvez já tenha visto alguma pesquisa na televisão que empregou algum roedor como modelo de alguma doença e baseou-se neste estudo para desenvolver algum fármaco. Mas você sabia que moscas, abelhas e até vermes podem ser utilizados para compreender melhor nosso organismo e muitas dos fenômenos e características marcantes da raça humana?

Em outubro deste ano (2014) participei da 3ª edição do curso Small Brains, Big Ideas (SBBI) oferecido em Santiago e Valparaíso no Chile, com o intuito de treinar jovens cientistas da América Latina em diversas abordagens experimentais fazendo uso de animais invertebrados. O curso foi majoritariamente organizado por professores de diversas faculdades chilenas com a participação de docentes de faculdades norte americanas e inglesas. Dê uma olhada no vídeo de divulgação da 3ª edição do SBBI!

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Por que fez o que fez? Decisão pontual ou hábito!

Geralmente o nosso corpo promove uma ação motora por tomar determinada decisão que pode ser coordenada por diferentes razões: as vezes para atingir um objetivo pontual e específico em determinado momento (me dirijo até uma loja para comprar um vídeo game durante a promoção do Black Friday) e, outras vezes, por hábito (acordo todos os dias de manhã para um corrida). É nessa linha de pesquisa que começarei a investigar os mecanismos neurofisiológicos e comportamentais da dependência, durante o pós-doutoramento que iniciei no National Institutes of Healthy (NIH) nos EUA, em novembro de 2013. Vale pontuar que existem muitas evidências que os comportamentos motores que nos levam a buscar alguma recompensa (comida, bebida, sexo) têm semelhanças e homologias importantes com os mecanismos que ocorrem nos roedores. Em meio à discussão continuada que devemos fazer sobre ética, trago mais informações e exemplos que indicam que o  uso de animais na Ciência é importante, mas sempre deve ser justificável. Continuar lendo

Um arco-íris nos teus olhos? Um pouco sobre dilatação da pupila e orientação sexual

A sexualidade tem grande importância na vida das pessoas, não apenas por uma questão reprodutiva, mas também por envolver a busca pelo prazer, a formação da identidade e mesmo a representação social deste indivíduo e a sua identificação e imersão em determinados grupos. Indo além do produto de ordenanças genéticas, a sexualidade é algo que se constrói durante a vida. O Sexo é algo majoritariamente biológico, indica um conjunto de características anatômicas e funcionais relacionadas a ele, já a sexualidade e a orientação sexual podem ser consideradas uma forma de expressão cultural (quem já criou algum questionário de pesquisa provavelmente já ouviu aquela velha frase “sexo é diferente de gênero”).

O comportamento sexual é algo interessante, que incita na maioria das pessoas curiosidade, algumas relacionadas a tabus e preconceitos, outras a desejos… E o estudo da sexualidade, multifacetada como é, não poderia se dar apenas por uma disciplina e praticamente nunca passa despercebido pelos olhares curiosos.

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Love is in the air…

É, quem já não sentiu flutuar por amor? Quem já não amou mais a outro do que a si mesmo? Aparentemente o amor já atingiu uma parcela bem alta da população. Muito mais do que a parcela atingida por hipertensão, dependência de drogas ou gravidez! O estudo do amor, portanto, poderia ajudar em sua compreensão? Aparentemente, o amor romântico não foge a ciência! Sabe-se que diversas teorias filosóficas e psicológicas tentam explicar o amor e suas variações. No entanto, neste post gostaria de focar e dividir uma pitada da pesquisa realizada pela Dra. Helen E. Fisher, uma antropóloga e pesquisadora comportamental. Ela estuda a atração interpessoal, ou o amor romântico, há pelo menos 30 anos. A Dra. Fisher vem se dedicando a entender a neurobiologia do amor e a mostrar que, mesmo após anos de convivência, é possível que ainda se sinta um amor romântico tão forte quanto aquele dos primeiros beijos (clique na imagem abaixo para ver o vídeo – eu já devo ter assistido mais de 10 vezes e sempre me surpreendo).

Apresentação Dra. Helen Fisher no TED 2008:
“The brain in love”.

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Iluminando a Neurofisiologia! Uma outra refração.

Além da divulgação científica, quando criamos o Prisma pensamos em mais de uma pessoa descrever sobre um mesmo tema, em posts diferentes. Esse é o primeiro dessa forma de postagens, onde uma segunda pessoa fala sobre um assunto já discutindo, dando uma outra perspectiva a ele, como se fosse um prisma.

Há tempos tem se discutido formas de se manipular o cérebro. Formas que solucionariam questões científicas ou necessidades médicas. Porém, o cérebro é tão complexo, devido a sua difícil acessibilidade, heterogeneidade anatômica, fragilidade e rápido processamento (por exemplo, um potencial de ação dura “longos” milésimos de segundo). Continuar lendo

Iluminando a Neurofisiologia!

Já há alguns anos assisti uma palestra brilhante de um jovem professor. Depois disso tenho certeza de que eu, como neurocientista, estou vivenciando um período de uma grande revolução tecnológica que pode ajudar a desvendar os mistérios do cérebro de forma muito precisa.

Neuroscience has optogenetics fever! And it’s producing crazy fever dreams like this (www.buzzcritic.com).

A optogenética é uma ferramenta que combina manipulações genéticas e ópticas para acessar circuitarias neuronais através da manipulação do potencial de ação, e associá-las a determinados comportamentos. Continuar lendo