Fosfoetanolamina: uma história mal contada

Talvez você tenha notado recentemente nos meios de comunicação e nas redes sociais certo barulho causado por uma “nova cura” do câncer: a fosfoetanolamina (FOSFO). Pra quem não foi atingido por esta onda vou fazer um breve resumo da história. No dia 17 de agosto, pacientes com câncer entraram na justiça para que a USP libere a distribuição de um suposto “remédio” para o combate da doença. O composto era produzido e distribuido dentro do Instituto de Química da USP-São Carlos (IQ-USP) e há relatos de melhoras dos sintomas e até cura. Em 2014, o IQ-USP passou uma portaria que regulava a produção e distribuição de qualquer substância usada com finalidade terapêutica produzida dentro de suas dependências. O documento esclarece que apenas aquelas substâncias que apresentarem toda a documentação emitida por órgãos públicos de saúde poderão seguir sendo produzidos e distribuídos pelo Instituto. A FOSFO, por não ter esses documentos, deixou de ser distribuída. O que se seguiu foi uma onda de brigas judiciais e protestos que agora ganham força pela cobertura da mídia.13042012drogas_remedios008-1115723 Continuar lendo

Por que o Crack? Parte 1 – Qual a droga que mais causa prejuízos?

Você possivelmente já ouviu falar do programa chamado Crack, é possível vencer. Caso não, este é um programa que visa a distribuição de cerca de 4 bilhões de reais em recursos da União para políticas públicas sobre o crack E OUTRAS DROGAS em todo território nacional. Não deixei em caixa alta “e outras drogas” sem querer. Este projeto possui medidas de prevenção, cuidado e autoridade não somente para o crack, mas também para as demais drogas de abuso. Com isso, gostaria de te convidar a refletir um pouco sobre essa ênfase conferida ao crack pelo programa.

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Sobre zumbis e estigma

Não é novidade na história da sociedade contemporânea que uma das abordagens mais utilizadas no “combate” às drogas é o medo. No início dos anos 70, o então presidente dos EUA, Richard Nixon cunhou um termo que se faz presente ainda hoje: A guerra contra as drogas.  Apesar dos exemplos de falhas, suas diretrizes relacionadas à regulamentação e controle das drogas ainda estão enraizadas na política brasileira e de muitos outros países.

Um local de forte interesse daqueles envolvidos nessa guerra é a propaganda. Através desse veículo a mensagem de um determinado grupo pode atingir milhares de pessoas em uma área muito abrangente. Se a propaganda for de boa qualidade, mais pessoas podem se interessar pelo produto que ela está oferecendo. Não é a toa que a propaganda é a alma do negócio! Continuar lendo

Ciência é coisa do Demos – Parte 2

Partindo da premissa de que os resultados e conhecimentos obtidos através de pesquisas científicas devem ser, sempre que possível, aplicados na prática para o bem social, ou seja, devolvidos ao povo, escrevi o texto Ciência é coisa do Demos. Esta ideia em particular não é solitária, outros pesquisadores também a defendem. Porém, considerando algumas questões não abordadas, e por parecer uma mera opinião isolada, este novo post vem para ajudar a discutir melhor e levantar outros pontos importantes sobre o que foi previamente exposto.

Robert Lackey argumenta que cientistas devem contribuir para o processo político, não bastando que se ocupem de publicar seus achados em artigos acadêmicos. Para ele, a contribuição política dos cientistas não é somente a decisão correta a se tomar, mas sim uma obrigação, especialmente quando os estudos forem financiados por recursos públicos.

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Universidades federais finalmente expostas na Scientific American Brasil

Nota

Na edição de fevereiro da revista Scientific American o professor Adonai Sant’Anna, da UFPR, escreveu uma matéria interessantíssima sobre alguns aspectos das universidades públicas que dificultam o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia no Brasil.

No meu texto “Ciência Tecnologia e Inovação no Brasil: as causas, as consequências e as providências!” eu havia indicado alguns pontos da regularização da docência das universidades como fatores que dificultam o desenvolvimento científico do Brasil (i.e. dedicação exclusiva, falta de autonomia universitária, entrave do governo para parcerias com setor privado), mas não me atentei para um dos principais pontos descritos pelo Prof. Sant’Anna (abaixo), a estabilidade de funcionário público e a falta de meritocracia. O interessante é que esse texto vem de alguém que dentro do sistema (um professor universitário), e analisa como esses fatores criam uma atmosfera entre os docentes e universidades que pouco estimula o desenvolvimento de pesquisa de ponta e de tecnologia. Continuar lendo

Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil: o cenário, as causas, as consequências e as providências!

Antes de mais nada quero dizer que esse post ganhou forma após três fatos. O primeiro foi a leitura do texto “Você quer mesmo ser cientista?” da Profª Suzana Herculano-Houzel, da UFRJ. Aqui, tenho a pretensiosa intensão de aumentar essa discussão, abordando outras perspectivas, que tiveram fagulha nos outros dois fatos, uma palestra sobre Economia, Inovação e Empreendedorismo, ministrada pelo Prof. Mariano Francisco Laplane (Presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos Ciência, Tecnologia e Inovação – CGEE) na II Semana do Pós-Graduando da UNIFESP,  e outra sobre a relações entre as universidades e a indústria para inovação no Brasil, ministrada pelo Profº Luiz Eugênio de Mello, professor titular do Departamento de Fisiologia da UNIFESP e dirigente do projeto de um novo instituto de pesquisa da Vale do Rio Doce. Se alguma dessas pessoas chegar a ler este texto, desde já que se registre meu agradecimento por colocar em pauta discussões tão necessárias sobre o cenário da ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Continuar lendo