Falácias de mesa de bar (2)

Certa vez, durante um banquete na Grécia Antiga, um belo rapaz chamado Alcebíades – talvez o mais belo entre os atenienses – após tomar muito do vinho azedo que serviam naqueles tempos se irritou com a presença de Sócrates na mesa e, em um rompante passional, começou a atacá-lo colérica e apaixonadamente. Acusando Sócrates de ter uma retórica apaixonante como a de sátiros tocando flauta na floresta, como que se enfeitiçasse os corações ingênuos, acusando Sócrates de o perseguir em todas as suas noites de sono… Os seus sonhos não mais seriam os mesmos até o dia da sua morte, pois desejava Sócrates e este não se importava com ele. Sócrates era um homem fantástico e cruel e por isso não deveria ser idolatrado, mas sim excluído das rodas dos mortais para sempre!

Como estamos vendo, utilizando de uma falácia clássica – o ad hominem – Alcebíades acusou Sócrates de não possuir certos valores morais que, na Grécia Antiga, basicamente queria dizer “a vontade de possuí-lo” mesmo. Triste e apaixonado, Alcebíades aparentemente não leu o meu texto anterior sobre falácias na mesa de bar (clique aqui para entender um pouco mais dessa bagunça) e utilizou uma falácia contra Sócrates, o chato dos chatos, o maior dos retóricos. Pois Sócrates respondeu à altura de toda a sua sapiência disfarçada de ignorância:

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“Só sei que nada sei, gente.”

Mistura perigosa: Álcool e gente. É, meus amigos, se nem na Grécia Antiga havia como escapar dos barracos e falácias, imagine hoje… Após esse prólogo é hora de mais um texto sobre as falácias na mesa do bar!

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Falácias de mesa de bar

A primeira cerveja gelada desce na mesa de um bar onde você e seus amigos resolveram se desligar um pouco das batalhas diárias que travam em suas vidas atribuladas. Todos estão tranquilos. Futebol, literatura e outros tipos de entretenimento estão sendo discutidos. Rola um elogio ao novo volante vindo das divisões de base, uma brincadeira com o jeito alegre de jogar do time adversário e um comentário pertinente sobre a escrita de tal autor. Até a quarta cerveja, já fria, o assunto vai fluindo, outros tópicos entram em discussão, como o novo álbum de um cantor de MPB que não ficou tão bom assim, aquele livro com piadas inteligentes que todo mundo deveria ter lido ou os supostamente belos filmes daquele diretor dinamarquês com um significado muito mais profundo do que apenas mutilação de genitálias e planetas se chocando. Aí lá para a sétima ou décima quinta cerveja, já nem tão geladas assim, o papo passa a ser menos criterioso, seja você estudante, profissional ou professor, as maiores besteiras vão escapar da sua boca. Você sabe do que estou falando, você já esteve nessa situação. E daqui para frente a discussão vai ficar ainda mais espinhosa.

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“Hum, a discussão está tão leve e descontraída… É hora de animar as coisas.”

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