Sobre preconceito, discriminação e sua força no futebol


Lembro da primeira vez que entrei no Estádio Octávio Mangabeira¹, mais conhecido como “Fonte Nova”, em 1993. O jogo era Bahia e Flamengo, válido pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro daquele ano². Se minha memória não falha, existia uma “geral” na Fonte onde as torcidas rivais compartilhavam espaço na arquibancada. Aquilo tudo era novo, e aproveitando a minha excitação com o momento, meu pai me levou para um torcedor que portava as camisas tricolor e rubro-negras na mão e falou: tá vendo filho, ele torce para os dois times, o time que fizer gol ele veste a camisa e comemora. Achei aquilo muito inteligente, afinal, o cara ia sair vitorioso de qualquer forma. E eu estava um pouco como aquele rapaz, torcendo menos por uma vitória em particular do que pelo jogo em si.

Até pouco tempo atrás apenas me lembrava de um gol feito pelo Casagrande³ para o Flamengo, que me marcou muito, pois foi a primeira vez que vi uma torcida explodir de felicidade daquela forma. Minutos depois o Bahia empatou e eu comemorei com tanta animação quanto o primeiro gol marcado. Achava que futebol era isso: cor, som e explosão incontrolável de comportamentos randômicos: Desconhecidos pulando junto, se abraçando, gritando um com o outro com o sorriso aberto e falando coisas como “eu falei, eu falei” sem ter falado absolutamente nada. Ledo engano. Continuar lendo