Epidemia de crack? Quem são os usuários? – Por que o crack – Parte 2

Vamos à sequência de posts sobre crack aqui no Prisma Científico! Caso você ainda não tenha lido a Parte 1, acesse aqui.

Epidemia de crack? Há algum tempo ouvimos sobre uma alarmante epidemia do crack. Entretanto, no Brasil até pouco tempo atrás existiam poucos estudos que fossem adequados para se responder a esta pergunta (na verdade, do ponto de visto epidemiológico[1] ainda pode-se dizer que não existem trabalhos com metodologia científica adequada e que permitam afirmar se há ou não uma epidemia de crack). Entenda o motivo!

Efeitos-Do-Crack-Características-Gerais-e-Comparativo-Com-Outras-Drogas Continuar lendo

Por que o Crack? Parte 1 – Qual a droga que mais causa prejuízos?

Você possivelmente já ouviu falar do programa chamado Crack, é possível vencer. Caso não, este é um programa que visa a distribuição de cerca de 4 bilhões de reais em recursos da União para políticas públicas sobre o crack E OUTRAS DROGAS em todo território nacional. Não deixei em caixa alta “e outras drogas” sem querer. Este projeto possui medidas de prevenção, cuidado e autoridade não somente para o crack, mas também para as demais drogas de abuso. Com isso, gostaria de te convidar a refletir um pouco sobre essa ênfase conferida ao crack pelo programa.

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A terapia da meditação – Entrevista com a Dra. Sarah Bowen

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Como vimos no post anterior desta série, um dos grandes problemas enfrentados por aqueles indivíduos que lutam contra algum tipo de dependência de drogas é a recaída. Na maioria dos casos esse processo tem início após algum episódio de fissura, ou seja, uma vontade muito grande de consumir a droga. Diversas terapias já estão sendo usadas para o tratamento desse problema baseando-se em conceitos psicológicos e fisiológicos da dependência, no entanto uma nova abordagem está surgindo apoiando-se em conceitos da meditação budista, o mindfulness. Continuar lendo

Álcool: dificuldade em parar, problema de memória à vista! (parte 3)

Alcoholism-addictionNos últimos dois posts sobre o álcool, droga de abuso lícita tão comumente usada por muitos e muitos milhões de pessoas, falei um pouco da epidemiologia e dos seus efeitos agudos (Álcool: consumir ou não, eis os seus efeitos), e também mencionei alguns dos fatores que fazem com que um indivíduo possa transitar do uso controlado de álcool para o exagerado (Álcool: se faz alegre, por que se preocupar?). Neste post gostaria de comentar um pouco das explicações científicas atuais (bem recentes meeeesmo!) para o fato de que um indivíduo, já em fase de dependência de álcool, tem grande dificuldade de se livrar do seu uso. Na minha opinião, e de outros cientistas, a dependência de drogas é um processo relacionado à formação de “memórias aberrantes” dos estímulos associados à droga (Torregrossa et al., 2011 – boa revisão!). Quê? Ficou difícil? Vamos explicar com calma! Continuar lendo

Álcool: se te faz alegre, por que se preocupar? (parte 2)

O uso de qualquer droga de abuso se inicia com a vontade do indivíduo em buscar uma nova alternativa de prazer ou se sentir melhor: seja pelos efeitos da droga em si, seja para socializar com a grupo a qual pertence. Na verdade a experimentação de qualquer atividade da vida vem carregada da vontade em se buscar algo prazeroso ou que traga saciedade. Quando nos deparamos com algum estímulo aversivo, o nosso cérebro é reprogramado para evitar este estímulo (acontece uma diminuição da liberação de dopamina na circuitaria de recompensa cerebral – gráfico em azul da figura abaixo). Por outro lado, quando nos deparamos com um estímulo prazeroso, nosso cérebro lança um sinal (aumento de dopamina no núcleo accumbens, região cerebral relacionada ao sistema de recompensa e importante para os efeitos das drogas de abuso – gráfico em vermelho da figura abaixo) para que futuras ações levem à busca deste mesmo estímulo. Continuar lendo

Álcool: consumir ou não, eis os seus efeitos (parte 1)

 Desde o início da minha carreira acadêmica tenho um interesse no estudo da neurobiologia associada à adaptações comportamentais decorrentes da exposição crônica às drogas de abuso, mais especificadamente ao álcool. Gostaria de dividir aqui um pouco dos aspectos gerais relacionados aos efeitos e à dependência de álcool. Seu uso abusivo é um problema médico e social tão antigo quanto a história da civilização humana. Existe uma passagem notória da Bíblia que se refere ao semita Noé: “Noé, que era agricultor, plantou uma vinha. Tendo bebido vinho, embriagou-se, e apareceu nu no meio de sua tenda” (Bíblia Sagrada, Gênesis, capítulo 9, versículos 20-21). É provável que as primeiras doses de álcool consumidas pelo ser humano tenham sido provenientes de fermentações acidentais. A representação do uso de álcool foi corporificada por Dionísio, Deus do êxtase e do entusiasmo, sendo o seu uso abusivo uma prática muito comum naquela época. É inevitável, portanto, perceber que a espécie humana sempre buscou maneiras de alterar a própria consciência (Huxley, 1954). Continuar lendo

Fatos e falácias sobre o crack

Foto: Alter-Latina

Definitivamente todos já ouvimos falar sobre o crack. Uma droga estimulante que tem sido utilizada no país desde início da década de 90. Mas caso ainda não estejam tão familiarizados com ela, vamos a alguns fatos. O crack nada mais é que uma variação da cocaína. Ambas as drogas são derivadas da folha de coca, provenientes de uma planta nativa da Bolívia. A diferenciação entre a cocaína (cheirada ou injetada) e o crack (fumada) se dá basicamente no processo de criação (extração) da droga, no qual subprodutos da produção de cocaína são reaproveitados e produz-se então o crack (o mesmo valendo para o oxi).

Algumas das razões para que o uso do crack tenha aumentado desde a década de 90 são: ele ser mais barato que a própria cocaína, ser uma alternativa à cocaína injetada (mesmo que pouco comum, houve casos especialmente durante a década de 90) e causar seus efeitos rapidamente no Sistema Nervoso Central. Continuar lendo