O “Macaco Azul” e a (não) escrita nossa de cada dia

Escrever é difícil. Colocar no papel suas ideias de forma compreensível é um trabalho complexo e exaustivo e, a depender do veículo em qual essa sua escrita será publicada, pode até ser metódico, como é comumente a produção de um artigo científico.

A vida de um cientista está totalmente relacionada com a escrita e dificilmente ao seguir esta carreira será possível se desvencilhar dessa ação. Livros, artigos, resumos, pôsteres, relatórios, provas, aulas e uma infinidade de pequenos textos deverão ser produzidos nos anos que se seguirão aos seus primeiros passos por este caminho.

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Os Miseráveis

Quando recebi a notícia de que o espetáculo “Os Miseráveis” (Les Miserábles), adaptação musical do romance de Victor Hugo, estaria ganhando uma versão cinematográfica, logo quis escrever um texto com essa referência por gostar muito do livro e do musical. O filme apenas será lançado em 2013 no Brasil, mas a expectativa é grande, apesar de termos de ouvir Russell Crowe cantando…

As primeiras páginas do romance “Os Miseráveis” contam com a personagem Jean Valjean pedindo de albergue em albergue por um quarto e uma refeição, só para ser escorraçado em todas as suas tentativas, por ser um recém-liberto – em condicional – de sua pena de prisão de dezenove anos, cinco por roubar um pão para tentar alimentar a sua família e mais quatorze por tentativas recorrentes de fuga. Para mim, na academia, a comparação mais óbvia dessa jornada arredia e incerta, com diversas dúvidas sobre o futuro – com muitas possibilidades, boas e ruins – seria a dos “miseráveis” da hierarquia acadêmica, os estagiários da ciência, aquele que seria o primeiro degrau do futuro cientista: o estudante de Iniciação Científica.

Cosette acadêmica Les miserables

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Entrevista: Palhaços de Plantão

Conhece os Palhaços de Plantão?

Esse grupo tem como objetivo “levar a arte do palhaço ao ambiente hospitalar”, semelhante ao grupo Doutores da Alegria. Porém, quem realiza as atividades são alunos dos cursos da área de saúde de uma instituição de ensino superior aqui de São Paulo.

Em uma conversa rápida o Mauro Fantini, coordenador do projeto, saberemos um pouco mais sobre o projeto e veremos o que esse grupo tem a ver com ciência. Continuar lendo

A relação entre didática e o meio acadêmico

Certa vez assisti a uma palestra sobre jornalismo científico de um matemático chamado Luiz Barco, que em determinado momento durante seu discurso, ele disse algo que ecoa na minha cabeça até hoje. Suas palavras foram: “Você só pode dizer que realmente entende de determinado assunto, quando consegue descrevê-lo de forma que uma criança de cinco anos entenda”.

Imagine agora não uma criança de cinco anos, mas uma pessoa leiga, que tenha até uma educação básica semelhante, mas seja de uma área distante da sua. Quantas vezes você conseguiu explicar sua pesquisa a uma pessoa dessas. Quantos conceitos ou termos você teve que substituir para facilitar o entendimento dessa pessoa. Ou pior, quantos detalhes você propositalmente ocultou para não confundir ainda mais a pessoa. E no final das contas, quantas vezes você se convenceu que a outra pessoa realmente entendeu tudo o que você falou, mesmo que ela tenha falado que entendeu tudo.

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Um mundo que queima livros

Sou fascinado por distopias. Não só por existir nas representações de um mundo distópico uma atraente e avançada tecnologia, mas também porque acredito que é o caminho mais provável da realidade em que vivemos. Pelo que vejo, tudo indica que o futuro será distópico. Alguns dos cenários apresentados em livros e filmes devem ter se aproximado muito de onde estaremos em breve, talvez só com uma menor quantidade de roxo nas roupas e cabelos góticos nas ruas. No passado, escritores acertaram ao prever as qualidades e defeitos do presente, o mundo de hoje é a distopia de ontem, então podemos acreditar que a distopia de hoje será a realidade de amanhã, um caminho que parece ser irrefreável.

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