Álcool: dificuldade em parar, problema de memória à vista! (parte 3)

Alcoholism-addictionNos últimos dois posts sobre o álcool, droga de abuso lícita tão comumente usada por muitos e muitos milhões de pessoas, falei um pouco da epidemiologia e dos seus efeitos agudos (Álcool: consumir ou não, eis os seus efeitos), e também mencionei alguns dos fatores que fazem com que um indivíduo possa transitar do uso controlado de álcool para o exagerado (Álcool: se faz alegre, por que se preocupar?). Neste post gostaria de comentar um pouco das explicações científicas atuais (bem recentes meeeesmo!) para o fato de que um indivíduo, já em fase de dependência de álcool, tem grande dificuldade de se livrar do seu uso. Na minha opinião, e de outros cientistas, a dependência de drogas é um processo relacionado à formação de “memórias aberrantes” dos estímulos associados à droga (Torregrossa et al., 2011 – boa revisão!). Quê? Ficou difícil? Vamos explicar com calma! Continuar lendo

Álcool: se te faz alegre, por que se preocupar? (parte 2)

O uso de qualquer droga de abuso se inicia com a vontade do indivíduo em buscar uma nova alternativa de prazer ou se sentir melhor: seja pelos efeitos da droga em si, seja para socializar com a grupo a qual pertence. Na verdade a experimentação de qualquer atividade da vida vem carregada da vontade em se buscar algo prazeroso ou que traga saciedade. Quando nos deparamos com algum estímulo aversivo, o nosso cérebro é reprogramado para evitar este estímulo (acontece uma diminuição da liberação de dopamina na circuitaria de recompensa cerebral – gráfico em azul da figura abaixo). Por outro lado, quando nos deparamos com um estímulo prazeroso, nosso cérebro lança um sinal (aumento de dopamina no núcleo accumbens, região cerebral relacionada ao sistema de recompensa e importante para os efeitos das drogas de abuso – gráfico em vermelho da figura abaixo) para que futuras ações levem à busca deste mesmo estímulo. Continuar lendo

Música Neuronal

A música é uma forma de arte que existe em todas as culturas ao redor do mundo. Ela pode provocar fortes sensações nos seres humanos, como afetar emoções e humor. Essa é apenas uma das razões das pessoas escutarem músicas diariamente.

Para um som ser compreendido por nós, ele percorre um loooooongo caminho (neuronal, ao menos!), como mostrado na figura ao lado. Tudo começa na nossa cóclea, que fica dentro dos nossos ouvidos, passa por algumas regiões do cérebro até chegar no córtex auditório, onde a informação auditiva será interpretada.

Se vários sons forem combinados harmonicamente, temos uma boa música. Continuar lendo