Os Corvos e a sua Guerra dos Tronos

Antes de tudo, leitor, clique aqui e deixe a música criar o clima para o texto.

Corvos são animais que para a mitologia e literatura se encontram em um espaço limítrofe entre o mundo espiritual e o mundo real, das religiões pagãs até “O Corvo” de Allan Poe, eles são vistos em geral como detentores do conhecimento místico da morte e, em algumas culturas,  como seres que carregam consigo os maus presságios pelo seu hábito necrófago e a sua cor negra. No seriado Game of Thrones (inspirado na série de livros “As Crônicas de Gelo e Fogo”) a imagem do corvo surge em alguns momentos com a sua habitual ligação mística (“o corvo de três olhos”) e em outros como o grupo de “soldados” servindo para sempre na solidão da muralha, protegendo o continente, um exército formado pela escória do mundo… E esse cara:

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Sobre consciência e inteligência artificial. (Parte 2)

PigmaliaoGalateaJean-Léon Gerome

Na primeira parte desse post falamos sobre a consciência e a possibilidade da criação desta por meios artificiais, por mãos humanas. Embora com outra roupagem, há inúmeras criações artísticas que surgiram deste questionamento. Desde a mitologia grega, com a história de Galatéia, construída no mármore por Pigmaleão, que terminou por receber de Afrodite o toque da vida, até o golem Frankenstein da escritora Mary Shelley, cujo nome se tornou referência do receio que algumas pessoas têm de que toda criação de vida, inteligência e consciência artificial possa se voltar contra o seu criador em um afã violento pela liberdade cerceada.

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Inteligência ≠ Sucesso

Um tempo atrás li um artigo em um site que hoje em dia sou fã (UoD) que falava de como a crença de uma criança sobre sua inteligência pode influenciar negativamente seu desempenho escolar. Basicamente, o texto dizia que crianças que costumam receber elogios como “Você é inteligente” ou “Você é esperto (a)” tendem a apresentar um desempenho pior frente a novos desafios quando comparados com outras crianças que ouvem “Você é esforçado (a)” ou “Você é curioso (a)”. Maneiro, né?

“Ih alá! Post novo, mané!”

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Disparam juntos, se ligam juntos

A Neurociência Cognitiva é a área que investiga os mecanismos biológicos subjacentes à cognição, aos processos complexos do cérebro como inteligência, emoção, memória e julgamento moral, por exemplo. Tenta responder como as funções psicológicas e os comportamentos dos organismos são produzidos pela atividade das células nervosas.

Penso que a maior dificuldade dessa área de investigação seja a quantidade de níveis de escala e de propriedades que esses processos possuem. Ao longo da história da neurociência, evidências que ocorreram em diferentes escalas levaram a conclusões que até hoje tentam se conectar.  Nos textos de optogenética (texto I e texto II), apresentou-se um dos supra-sumos da neurociência atual em termos de metodologia. Mas, mesmo assim ela age em apenas uma parte das escalas e propriedades (circuitos, farmacológica, elétrica). E tentar abordar o máximo de escalas e propriedades em um único estudo é um dos grandes desafios dos pesquisadores para formar uma estrutura única do conhecimento sobre as funções do cérebro. Para explorar um pouco essa complexidade, vou falar de dois níveis dessa escala, o anatômico e o de circuitos, e um dos modos usados atualmente para estudar cognição considerando esses dois níveis. Continuar lendo