Stigma redigere: O novo feitiço do Harry Potter

harry-potter1Goste ou não, a série de livros da autora inglesa J.K. Rowling, Harry Potter, não é só um sucesso, mas um fenômeno sem precedentes. Com mais de 450 milhões de vendas e traduções para mais de 67 línguas, os livros que contam a história do bruxo mais famoso deixaram sua marca na cultura contemporânea.

Nas entrelinhas da história de Rowling, além da lição de que coragem e amizade são fundamentais na formação do caráter de uma pessoa, uma crítica pungente ao racismo, preconceito e fanatismo é conduzida. No mundo fictício de Harry Potter, alguns bruxos se autodenominam “bruxos de sangue puro”, aqueles nascidos de pai e mãe também bruxos. Tais bruxos consideram-se superiores aos mestiços (pelo menos um pai não é bruxo), seres mágicos que não são de sua raça, e também seres não mágicos, como nós, os “trouxas”. Ao longo da história vemos que se por um lado Voldemort, o bruxo mais terrível de todos os tempos e inimigo de Harry, junto com seus seguidores rejeitam aqueles diferentes, Harry por sua vez convive com eles, nutrindo uma amizade e uma empatia profunda com os mesmos.

Mas o que Harry Potter tem a ver com o Prisma Científico? Continuar lendo

Depois da festa começa a dieta (que não funciona)

Planning-your-weight-loss-diet-2-600x400E vai passando mais uma semana de festas no Brasil pois aí se vai o Carnaval minha gente! Depois de alguns exageros nas comidas e bebidas, subimos na balança para o saldo em kilogramas. A conta é simples: caso a soma das calorias ingeridas de coxinhas, sanduíches, camarões e chopp seja maior do que a soma das calorias gastas em dança, pulos, beijos e abraços, o saldo será de um indesejado aumento na sua quantidade de massa corporal. Caso a soma da ingestão seja menor que a soma gasta, você perdeu massa e aquele número da balança diminuirá. É só isso! E saibam que essa conta vale para qualquer época do ano! Continuar lendo

A categorização nossa de cada dia.

O mundo em que vivemos exige da nossa cognição o uso de sistemas de aprendizagem complementares. E em contextos mais complexos, há a sobrecarga destes sistemas devido à quantidade de informações que se precisa processar.

Imagine essa situação:
[Uma pessoa ao sair de sua casa em direção ao trabalho se depara com a porta da casa vizinha aberta, onde uma senhora negra e muito idosa faz a faxina. Imediatamente a pessoa pode supor que aquela é a nova empregada de seu vizinho, uma senhora que provavelmente mora muito longe e se sustenta com dificuldade em um trabalho árduo. No trajeto para o seu trabalho o semáforo se ilumina em vermelho e ao parar o carro a pessoa é abordada por um senhor com o rosto surrado, quase que instantaneamente há a aplicação de rótulos verbais e o senhor é identificado como um mendigo, pedinte, esfomeado e, consequentemente, se imagina a vida terrível que ele vive, mas também que é preciso tomar cuidado com o que ele pode fazer naquela situação. Fecha-se a janela do carro. Ao chegar em seu escritório se depara com uma jovem muito bonita, loira e de corpo escultural andando por ali e logo supõe se tratar da nova secretária do chefe. E durante o resto do seu dia esta pessoa caminha por diversos locais, como restaurantes, lojas, salas e vai encontrando e categorizando pessoas, criando expectativas sobre como essas podem e devem agir.]
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Você é o que você escuta?!

MainZ17472Do toque do tambor aborígene até os acordes mais pesados de guitarras do rock, um fato indiscutível é a força que a música tem para expressão dos indivíduos na sociedade. A expressão musical é reconhecidamente uma das formas mais comuns utilizadas pelas pessoas e grupos em qualquer lugar do mundo e com as mais diferentes culturas. Para os jovens, essa intensidade se torna ainda mais visível, o estilo musical serve como uma insígnia que a priori revelaria para outrem em qual grupo social este jovem estaria incluso e qual o estilo de vida que ele possui. As palavras cantadas displicentemente no meio da rua, a camisa preta de sua banda favorita ou mesmo o adesivo de um bloco de carnaval colado na traseira do carro seriam instrumentos cruciais para a identificação grupal.

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Sobre preconceito, discriminação e sua força no futebol


Lembro da primeira vez que entrei no Estádio Octávio Mangabeira¹, mais conhecido como “Fonte Nova”, em 1993. O jogo era Bahia e Flamengo, válido pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro daquele ano². Se minha memória não falha, existia uma “geral” na Fonte onde as torcidas rivais compartilhavam espaço na arquibancada. Aquilo tudo era novo, e aproveitando a minha excitação com o momento, meu pai me levou para um torcedor que portava as camisas tricolor e rubro-negras na mão e falou: tá vendo filho, ele torce para os dois times, o time que fizer gol ele veste a camisa e comemora. Achei aquilo muito inteligente, afinal, o cara ia sair vitorioso de qualquer forma. E eu estava um pouco como aquele rapaz, torcendo menos por uma vitória em particular do que pelo jogo em si.

Até pouco tempo atrás apenas me lembrava de um gol feito pelo Casagrande³ para o Flamengo, que me marcou muito, pois foi a primeira vez que vi uma torcida explodir de felicidade daquela forma. Minutos depois o Bahia empatou e eu comemorei com tanta animação quanto o primeiro gol marcado. Achava que futebol era isso: cor, som e explosão incontrolável de comportamentos randômicos: Desconhecidos pulando junto, se abraçando, gritando um com o outro com o sorriso aberto e falando coisas como “eu falei, eu falei” sem ter falado absolutamente nada. Ledo engano. Continuar lendo