Por que os modelos computacionais não podem substituir os modelos animais?

A resposta mais apropriada é porque um depende do outro!

Em meio a tantas discussões sobre o uso de animais pela Ciência (vale ler os posts anteriores do Prisma:Ética na experimentação animal (parte 1)”, “Ética em Experimentação Animal (Parte 2) – os 3 Rs” e  “Snoopy e a experimentação animal”), um dos argumentos levantados é a alternativa de se utilizar outros métodos como, por exemplo, as simulações computacionais. Minha vontade em escrever esse post surgiu de uma preocupação com a desinformação que existe a respeito dos métodos alternativos. Sinto-me na obrigação de trazer os fatos àqueles que acreditam nessa alternativa salvadora para todas as questões da Ciência e, salvadora também, para os animais utilizados nos laboratórios de pesquisa. De forma alguma quero impôr minha opinião mas sim, abrir um canal de argumentação lógica e cientificamente embasada sobre a questão do uso de animais na Ciência. Continuar lendo

Transparente para visualizar melhor? A técnica CLARITY

É isso mesmo que você leu. A mais nova técnica para trabalhar com tecido animal e desvendar mistérios da conectividade cerebral foi publicada no dia 10 de abril de 2013, por diversas páginas da internet nos EUA, inclusive o New York Times. O Prof. Dr. Karl Deisseroth da Universidade de Stanford nos EUA, aquele mesmo professor que ajudou a idealizar a fantástica técnica de Optogenética (já descrita anteriormente neste blog: Iluminando a Neurofisiologia! e Iluminando a Neurofisiologia! Uma outra refração), juntamente com sua equipe de pesquisa criaram uma tipo de tratamento do tecido cerebral que o torna transparente e permite a visualização das conexões entre diversas regiões cerebrais. Vejam o vídeo publicado no site da Nature:

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Álcool: dificuldade em parar, problema de memória à vista! (parte 3)

Alcoholism-addictionNos últimos dois posts sobre o álcool, droga de abuso lícita tão comumente usada por muitos e muitos milhões de pessoas, falei um pouco da epidemiologia e dos seus efeitos agudos (Álcool: consumir ou não, eis os seus efeitos), e também mencionei alguns dos fatores que fazem com que um indivíduo possa transitar do uso controlado de álcool para o exagerado (Álcool: se faz alegre, por que se preocupar?). Neste post gostaria de comentar um pouco das explicações científicas atuais (bem recentes meeeesmo!) para o fato de que um indivíduo, já em fase de dependência de álcool, tem grande dificuldade de se livrar do seu uso. Na minha opinião, e de outros cientistas, a dependência de drogas é um processo relacionado à formação de “memórias aberrantes” dos estímulos associados à droga (Torregrossa et al., 2011 – boa revisão!). Quê? Ficou difícil? Vamos explicar com calma! Continuar lendo

Love is in the air…

É, quem já não sentiu flutuar por amor? Quem já não amou mais a outro do que a si mesmo? Aparentemente o amor já atingiu uma parcela bem alta da população. Muito mais do que a parcela atingida por hipertensão, dependência de drogas ou gravidez! O estudo do amor, portanto, poderia ajudar em sua compreensão? Aparentemente, o amor romântico não foge a ciência! Sabe-se que diversas teorias filosóficas e psicológicas tentam explicar o amor e suas variações. No entanto, neste post gostaria de focar e dividir uma pitada da pesquisa realizada pela Dra. Helen E. Fisher, uma antropóloga e pesquisadora comportamental. Ela estuda a atração interpessoal, ou o amor romântico, há pelo menos 30 anos. A Dra. Fisher vem se dedicando a entender a neurobiologia do amor e a mostrar que, mesmo após anos de convivência, é possível que ainda se sinta um amor romântico tão forte quanto aquele dos primeiros beijos (clique na imagem abaixo para ver o vídeo – eu já devo ter assistido mais de 10 vezes e sempre me surpreendo).

Apresentação Dra. Helen Fisher no TED 2008:
“The brain in love”.

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Fatos e falácias sobre o crack

Foto: Alter-Latina

Definitivamente todos já ouvimos falar sobre o crack. Uma droga estimulante que tem sido utilizada no país desde início da década de 90. Mas caso ainda não estejam tão familiarizados com ela, vamos a alguns fatos. O crack nada mais é que uma variação da cocaína. Ambas as drogas são derivadas da folha de coca, provenientes de uma planta nativa da Bolívia. A diferenciação entre a cocaína (cheirada ou injetada) e o crack (fumada) se dá basicamente no processo de criação (extração) da droga, no qual subprodutos da produção de cocaína são reaproveitados e produz-se então o crack (o mesmo valendo para o oxi).

Algumas das razões para que o uso do crack tenha aumentado desde a década de 90 são: ele ser mais barato que a própria cocaína, ser uma alternativa à cocaína injetada (mesmo que pouco comum, houve casos especialmente durante a década de 90) e causar seus efeitos rapidamente no Sistema Nervoso Central. Continuar lendo