Aprendendo e decidindo: como nosso cérebro toma uma decisão

Aprender sobre o mundo que nos cerca é uma tarefa compartilhada por todos os seres que habitam nosso planeta. Da criança que aprende que se comer todos os vegetais no almoço vai ganhar sorvete de sobremesa ao lodo que cria redes de transporte para se alimentar, todos nós somos eternos alunos e cobaias das provações que nosso ambiente expõe. Este aprendizado servirá de fundamentos para as decisões que serão adotadas no futuro. A criança pode decidir se vale a pena comer todos os vegetais para obter o sorvete ou se prefere manter-se longe do brócolis e da beterraba.

Em um texto anterior do Prisma, a minha amiga Karina Abrahão tratou bem de dois tipos diferentes de tomada de decisão: a baseada em um objetivo futuro (objetivo pontual) ou a decisão habitual (hábito). Meu intuito agora é descrever de que maneira nosso cérebro trabalha para decidir entre as diferentes opções disponíveis no ambiente. Ao longo do texto veremos que uma coisa leva a outra: certos tipos de tomada de decisão estão mais associados com o desenvolvimento do hábito enquanto outros com o objetivo pontual. Continuar lendo

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A categorização nossa de cada dia.

O mundo em que vivemos exige da nossa cognição o uso de sistemas de aprendizagem complementares. E em contextos mais complexos, há a sobrecarga destes sistemas devido à quantidade de informações que se precisa processar.

Imagine essa situação:
[Uma pessoa ao sair de sua casa em direção ao trabalho se depara com a porta da casa vizinha aberta, onde uma senhora negra e muito idosa faz a faxina. Imediatamente a pessoa pode supor que aquela é a nova empregada de seu vizinho, uma senhora que provavelmente mora muito longe e se sustenta com dificuldade em um trabalho árduo. No trajeto para o seu trabalho o semáforo se ilumina em vermelho e ao parar o carro a pessoa é abordada por um senhor com o rosto surrado, quase que instantaneamente há a aplicação de rótulos verbais e o senhor é identificado como um mendigo, pedinte, esfomeado e, consequentemente, se imagina a vida terrível que ele vive, mas também que é preciso tomar cuidado com o que ele pode fazer naquela situação. Fecha-se a janela do carro. Ao chegar em seu escritório se depara com uma jovem muito bonita, loira e de corpo escultural andando por ali e logo supõe se tratar da nova secretária do chefe. E durante o resto do seu dia esta pessoa caminha por diversos locais, como restaurantes, lojas, salas e vai encontrando e categorizando pessoas, criando expectativas sobre como essas podem e devem agir.]
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Por que fez o que fez? Decisão pontual ou hábito!

Geralmente o nosso corpo promove uma ação motora por tomar determinada decisão que pode ser coordenada por diferentes razões: as vezes para atingir um objetivo pontual e específico em determinado momento (me dirijo até uma loja para comprar um vídeo game durante a promoção do Black Friday) e, outras vezes, por hábito (acordo todos os dias de manhã para um corrida). É nessa linha de pesquisa que começarei a investigar os mecanismos neurofisiológicos e comportamentais da dependência, durante o pós-doutoramento que iniciei no National Institutes of Healthy (NIH) nos EUA, em novembro de 2013. Vale pontuar que existem muitas evidências que os comportamentos motores que nos levam a buscar alguma recompensa (comida, bebida, sexo) têm semelhanças e homologias importantes com os mecanismos que ocorrem nos roedores. Em meio à discussão continuada que devemos fazer sobre ética, trago mais informações e exemplos que indicam que o  uso de animais na Ciência é importante, mas sempre deve ser justificável. Continuar lendo

Quando os neurônios vão às compras


Cientistas do comportamento humano são pessoas que muitas vezes não são vistas com bons olhos, sabe por quê?  São chatos. Um cientista que se preze não consegue aceitar que algo apenas “é”, ele precisa saber o porquê dessa coisa “ser”, sua origem e sua função, porém nem todo mundo tem paciência para explicá-lo. Nessa incessante busca de respostas para suas perguntas acabam se enveredando em diferentes áreas dos estudos sociais como o direito, política, história e economia. Essa multidisciplinaridade resulta na formação de novas linhas de pensamento e pesquisa como, por exemplo, a neuroeconomia, área que agrega neurociência, psicologia, ciência computacional e economia.

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