Revisão por pares: um mal necessário? (Parte 2)

Clique aqui para ler a parte 1.

“É isso mesmo? Revisão por pares é isso ai?”

Quando perguntadas a respeito de suas opiniões sobre a revisão por pares e o seu papel na Ciência, tanto pessoas inseridas no mundo acadêmico quanto o público em geral vêm este procedimento como algo benéfico. Muitos identificam a revisão por pares como um processo avaliativo da ciência sobre si mesma, capaz de separar o joio do trigo, garantindo a integridade geral deste sistema. Tal afirmação é verdade, em parte. Apesar de parecer bonito no papel, o peer review que é feito hoje em dia comete muitos erros e foge dos pressupostos teóricos que toma por base, dando motivo para a desconfiança. E quais erros e motivos são esses? Continuar lendo

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A rata Zana

Há um bom tempo atrás, durante minha iniciação científica, vivi um momento um tanto inusitado. Enquanto eu terminava de arrumar o material que acabara de usar em um experimento, um professor que fazia parte do mesmo laboratório que o meu começou a receber alguns alunos para discutir a nota da prova final deles. Eis que uma de suas alunas, ao caminhar para fora da sala após uma intensa negociação de 0,3 ponto deparou-se com uma caixa-moradia onde estavam alguns camundongos. Como prática rotineira laboratorial, cada caixa deve ter uma etiqueta onde informações importantes são escritas, como por exemplo, o nome do experimentador responsável por aqueles animais. Ao ler o nome “João Victor” na etiqueta, a garota olhou para mim e para o professor e disse com um sorriso no rosto: “Que bonitinho! Eles têm nomes!”. Inevitavelmente, após a aluna sair da sala, eu e o professor não conseguimos evitar o riso e a incredulidade: como alguém acha que nós damos nome aos camundongos? Continuar lendo

A moral daqueles que não possuem fé

Um vídeo recentemente retirado de um jornal catarinense e postado no Youtube incomodou diversas pessoas na internet. Não só pelo tema que, por si só, possui uma alta carga polêmica, mas pela opinião contundente expressa pelo jornalista e psicólogo Luiz Carlos Prates sobre a maior quantidade de religiosos do que ateus nas cadeias, inicialmente buscando ir de encontro a uma pesquisa que afirmou que a religião é um dos fatores fundamentais para a felicidade. Um dia falarei mais sobre essa pesquisa, antes de tudo, vamos falar sobre o que acabou sendo o ponto mais crítico do argumento de Prates, a discussão entre moral e religião.

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Ética em Experimentação Animal (Parte 2) – os 3 Rs

No fim da década de 50, o livro “Princípios das Técnicas Experimental Humanas” (Principles of Humane Experimental Technique, Russel e Burch, 1959) lançou a ideia dos 3Rs: Reduction, Replacement e Refinement (Redução, Reposição e Refinamento); para guiar uma utilização  mais parcimoniosa de animais na experimentação. Redução apresenta a ideia de usar sempre o menor número de animais possível para o objeto de investigação. Continuar lendo

Ética na experimentação animal (parte 1)

Neste semestre eu cursei a disciplina de ‘Ética em experimentação animal e humana’ aqui na Psicobiologia, UNIFESP. Ao mesmo tempo, coincidência ou consequência da disciplina, também  me vi dentro de algumas discussões com ativistas de Sociedades e Associações Protetoras dos Animais, em decorrência de alguns virais da internet resultantes de manifestações e atos desses movimentos contra grandes corporações farmacêuticas e cosméticas nos ultimos meses. Esse tema borbulhou em minha mente esse semestre e não pude deixar de escrever sobre isso.
Na análise da Ética na prática da experimentação animal, deve-se considerar, primeiro de tudo, o conjunto de fatores que levam à discussão ética. O que faz a ética necessária nesse caso? A discussão sobre ética e moral surge a partir do momento em que, existindo no mesmo meio social indivíduos com diferentes premissas (ou valores), justificam como certo ou direito diferentes comportamentos. Assim, quando 2 ou mais desses comportamentos (ou valores) são direta ou indiretamente conflitantes, surge a necessidade de uma “ética do dever” para que os conflitos da sociedade ainda permitam uma convivência harmônica. Continuar lendo